Sistema estende alcance da TV a deficiente auditivo

Imagine um programa de rádio para surdos. Isso mesmo. A preocupação em universalizar a comunicação aliada à tecnologia pode fazer verdadeiros milagres. Emissoras de TV já estão utilizando o recurso closed caption, sistema que permite a leitura do conteúdo do texto, dito por atores e apresentadores, em tempo real. E, em alguns casos, utilizam até a Linguagem Brasileira dos Sinais (Libras).Considerada o 4º maior tipo de deficiência no Brasil, a surdez atinge 2% da população, o que significa que 2,25 milhões de brasileiros são deficientes auditivos. Muitos deles são pessoas que têm uma vida "comum", o que inclui assistir a televisão.O projeto-de-lei 709/99 - de autoria do deputado federal Hélio de Oliveira (PDT-SP) e que tramita no Congresso - poderá obrigar os canais a usar legendas em programas culturais, educativos, noticiosos e políticos. O Canadá já utiliza o recurso há 30 anos e na Europa e Estados Unidos eles são obrigatórios há 5 anos.Enquanto a proposta segue o curso burocrático, emissoras de TV se antecipam ao que, em breve, pode ser lei. A TV Globo é pioneira no Brasil e na América Latina - o Jornal Nacional foi o primeiro programa a adotar o sistema, em julho de 1997. Logo no início do telejornal a marca d´água da emissora - que fica no canto inferior do lado direito - pisca ou muda de cor e aparece a legenda closed caption. É o aviso para que os telespectadores saibam que o recurso está disponível, mas é preciso que o televisor disponha da tecla CC (sigla de closed caption).O sistema pode ser acionado por um simples comando no controle remoto, mas poucas pessoas sabem que têm o dispositivo em seus aparelhos de televisão - uma de 21 polegadas, com o recurso, está custando em torno de R$ 800,00. Para que o closed caption funcione, as emissoras responsáveis pela transmissão da programação precisam enviar o sinal.Outros programas da TV Globo com CC são o Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo, Fantástico, Programa do Jô e Tela Quente. Como são jornalísticos e exibidos em tempo real, a aplicação do CC demanda maior tecnologia do que quando é usada em programas gravados.Segundo a Central Globo de Comunicação, o mais comum é que as emissoras utilizem a estenotipia computadorizada - tradução feita com a ajuda de um teclado. A Globo trabalha com o reconhecimento de voz, com tecnologia desenvolvida por profissionais da TV Globo, mas operada por contratados.Agora é a vez de o SBT adotar a tecnologia. Desde o dia 17 de junho, os programas Ratinho, Hebe, TJ Manhã, Jornal do SBT, SBT Repórter, Show do Milhão, Casa dos Artistas, De Frente com Gabi e Falando Francamente, estão utilizando o recurso. Para a emissora, além de ajudar o público portador de deficiência auditiva, o novo recurso pode beneficiar também estrangeiros e pessoas em processo de alfabetização, o que atingiria cerca de 25 milhões de pessoas.

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