Siron Franco vai à luta contra a falsificação de arte

O artista plástico Siron Franco pretende iniciar hoje uma luta em defesa do direito autoral. Pela manhã, ele é ouvido pela Comissão de Educação do Senado, em Brasília, convidado pela senadora Íris de Araújo (PMDB-GO). "Espero colaborar para a criação de uma legislação mais incisiva contra os falsificadores", comenta Siron, cuja obra tem sido alvo de constantes clonagens. "Nossa intenção é realmente criar meios para melhorar a legislação", atesta a senadora, lembrando que atualmente somente o Código Civil e a Lei de Direito Autoral regulamentam a ação contra os falsificadores. "E, mesmo assim, é preciso que seja caracterizado o flagrante da falsificação."A audiência será acompanhada também pelos senadores Édson Lobão e Romeu Tuma, que também atuam na área. "Convidamos Siron por ele ter sido alvo constante de falsificações", comenta Íris. De fato, o artista tem recebido constantes chamados de marchandes e proprietários de galerias para comprovar a autenticidade de obras. "Como faz tempo que eu não exponho, os falsificadores têm reproduzido meus trabalhos dos anos 70 e 80 e sempre a partir de catálogos."O problema é particularmente delicado para Siron, pois ele acusa o irmão, Darci, de furto, falsificação e venda de três obras. Ocorreu em maio do ano passado, quando a ex-procuradora da República Nilma Maria Naves pagou R$ 8 mil por objetos que, se verdadeiros, custariam muito mais. "Infelizmente, tive de apresentar queixa na polícia contra o meu irmão, pois a situação se tornou delicada", comentou o artista.Apesar da precaução de amigos, que temem uma represália mais violenta dos falsificadores, Siron decidiu tornar público seu protesto ao aceitar o convite da comissão do Senado. "Se se ficar quieto, como fazem alguns, a situação só piora." O quadro, de fato, não é favorável - segundo levantamento conseguido pela senadora Íris de Araújo, falsificam-se 650 quadros por ano na área correspondente a São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

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