Sinfônica do Teatro São Pedro terá verba de R$ 3 mi

Cinco anos depois de ser transformado por decreto em espaço dedicado à ópera, o Teatro São Pedro vai ganhar sua própria orquestra. Criada pelo governo do Estado, a sinfônica vai estrear em 9 de junho e será comandada pelo maestro Roberto Duarte, anunciado oficialmente ontem como diretor musical, dividindo os trabalhos com Emiliano Patarra, regente-titular do grupo. Em 2010, R$ 3 milhões serão investidos na orquestra - para as próximas temporadas, a promessa é de um orçamento anual de R$ 6 milhões.

AE, Agência Estado

30 de março de 2010 | 09h04

O São Pedro foi definido como espaço dedicado essencialmente à ópera em 2005, pelo então secretário de Cultura João Batista de Andrade. Sem corpos estáveis, no entanto, o teatro dependia, a cada espetáculo, da contratação de uma orquestra convidada, o que aumentava os custos - a produção de 2009 de I Pagliacci, por exemplo, precisou ser realizada com piano e pequeno conjunto de câmara por questões de orçamento. Para a temporada 2010, foram anunciados ontem cinco títulos; o primeiro, em abril, será Tosca, com a Sinfônica da USP. As demais produções já utilizarão a orquestra do próprio teatro. Com o Teatro Municipal fechado para obras, a programação operística de São Paulo neste ano deverá se limitar a essas montagens.

"Estou chegando na casa e ainda tomando pé da situação", diz Duarte. "A temporada para este ano já estava praticamente montada e o desafio agora é formar essa orquestra." Segundo ele, já estão inscritos cerca de 250 candidatos - e o prazo final para inscrições acaba no dia 15 de abril. "Haverá uma primeira triagem a partir de gravações e, em maio, serão realizadas as provas finais, com uma banca de especialistas em cada naipe de instrumentos. O primeiro ensaio está marcado para o dia 1º de junho e, nos dias 9 e 10, faremos o primeiro concerto, para apresentar oficialmente a sinfônica ao público."

Duarte diz já estar pensando na programação de 2011. Com a reforma recém-realizada no fosso, diz, uma orquestra um pouco maior poderá ocupar o teatro. "Serão 55 músicos, o que vai nos permitir montar boa parte do repertório, todo Mozart, por exemplo, praticamente todo o Verdi. Os diretores cênicos terão responsabilidades grandes, afinal não se trata apenas do tamanho da orquestra mas, também, do tamanho do palco, e eles terão que inventar maneiras de aproveitar bem o espaço." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Programação

Tosca. Dia 29 de abril. Com a Sinfônica da USP, a ópera de Puccini será regida por Ligia Amadio e terá direção cênica de Fernando Bicudo.

Concerto inaugural. Dia 9 de junho. A Orquestra do Teatro São Pedro faz sua estreia em concerto regido por Roberto Duarte e que contará com a soprano Adriane Queiroz, paraense membro do elenco da Ópera de Estatal Berlim, como solista.

Rigoletto. Dia 28 de julho. A ópera de Verdi será a primeira montagem com a participação da nova orquestra. Duarte assina a direção musical e Livia Sabag, a concepção cênica.

Don Pasquale. Dia 24 de agosto. O lendário baixo-barítono italiano Enzo Dara volta a São Paulo para assinar a direção cênica da ópera cômica de Donizetti. A regência será de Vito Clemente.

Norma. Dia 6 de outubro. O cineasta Ugo Giorgetti assina a concepção cênica do drama de Bellini, que terá regência de Emiliana Patarra.

A Viúva Alegre. Dia 1º de dezembro. A temporada lírica será fechada com a famosa opereta de Franz Lehár, com regência de Emiliano Patarra e direção cênica de William Pereira, que já dirigiu Rossini no teatro.

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