Sinfônica brasileira em crise por conta de provas

A Orquestra Sinfônica Brasileira anunciou ontem sua temporada para 2011 - entre os destaques está uma integral sinfônica de Beethoven com Roberto Minczuk e Kurt Masur. A notícia, porém, vem embalada na polêmica provocada pela decisão dos músicos do grupo de não se submeterem à avaliação de desempenho proposta pela orquestra no final do ano passado. Segundo eles, os critérios são "draconianos" e têm como objetivo "humilhar" artistas.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em assembleia realizada na segunda, da qual participaram 58 dos 74 músicos, 56 integrantes da orquestra votaram pela não participação na prova. Na sexta, a comissão que representa os instrumentistas havia se reunido com Eleazar de Carvalho Filho, presidente da Fundação OSB, e externado seu descontentamento. "Não temos nada contra a melhoria artística da orquestra", diz Luzer David, presidente da comissão. "A questão são os critérios. Fomos avisados que teríamos 60 dias para nos preparar para a prova, incluindo nosso período de férias. Além disso, o estatuto diz que os músicos devem participar da formatação dos mecanismos de avaliação. E o formato de provas é injusto. Há outros critérios, como a assiduidade, o interesse na atividade da orquestra, o relacionamento, que precisam ser considerados. A avaliação deveria acontecer ao longo de um período mais amplo", diz.

Em nota oficial, Carvalho Filho afirma que as provas "servirão como mais um meio para que a Fundação OSB apure o rendimento de cada músico". "Isso acontecerá aliado ao processo avaliativo contínuo que já vem sendo feito. (...) Estamos prestes a iniciar uma nova fase na OSB, com condições excepcionais de trabalho e novas bases de remuneração para os músicos", diz.

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