Sindicato dos Jornalistas denuncia "bicões" da TV

O interminável show de popozudas, ET´s, Rodolfos e Cia, que tem tomado conta da televisão nos últimos tempos, está indignando o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A entidade acusa artistas de assumir funções antes exclusivas de jornalistas profissionais e decidiu iniciar uma campanha para a valorização de seus profissionais na TV. Nos últimos meses, promoveu uma série de mesas redondas com as emissoras, buscando saídas para o impasse."Nossa meta é apontar os responsáveis por exercer ilegalmente uma profissão que nem ao menos lhes pertence", afirma a advogada e coordenadora do departamento jurídico do Sindicato, Silvia Neli. Entre os denunciados, estão a drag queen Nany People, o apresentador Otávio Mesquita e as performers Feiticeira e Luiza Ambiel. Segundo Neli, o Sindicato pretende obter acordos amigáveis com as emissoras de televisão. Caso isso não seja possível, deverá entrar com ações junto à DRT (Delegacia Regional do Trabalho) e ao Ministério Público Estadual."Sendo assim, as emissoras estarão sujeitas a pagar multas diárias pela aparição indevida dos artistas e, inclusive, muitos deles poderão ser impedidos de trabalhar". Falta de ética - Uma vez diante dos tribunais, o sindicato acredita que sua principal arma seria questionar a qualidade das informações transmitidas por pessoas sem o mínimo de conhecimento sobre ética jornalística. "É o jornalista formado quem sabe selecionar informações capazes de cumprir algum papel social. O que esses falsos repórteres estão fazendo é transformar nossa profissão em uma grande brincadeira", protesta o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Fred Ghedini.Na opinião do jornalista e radialista Zé Luís, do programa É Show (Record), o Sindicato não deveria tomar uma posição "tão radical". "O ensino do jornalismo nas faculdades não está entre os melhores e, mesmo assim, o Sindicato proíbe o estágio de estudantes em empresas de comunicação", observa. "O aluno se vê obrigado a aprender as coisas na prática, inclusive a ter ética. Uns aprendem e outros não".Com o nome incluído na lista de denúncias do sindicato, Monique Evans - que comanda o Noite Afora e faz reportagens para o TV Fama, ambos na Rede TV! - também faz uma crítica aos jornalistas. "Antes de questionar se somos éticos ou não, deveriam avaliar sua própria conduta, pois cultivam o mal hábito de se meter na vida pessoal dos outros e transformar boatos em acontecimentos verídicos", aponta. "Sempre matam as pessoas antes da hora, é o que estão fazendo com Ana Maria Braga. Quando tive câncer, fui vítima dessa atitude sem graça. A imprensa age assim porque acha que tragédia vende mais".Para Monique, o que tem faltado às equipes de pauta e reportagem é senso de humor. "E é exatamente essa lacuna que vem sendo preenchida pelos artistas. No meu programa, faço as pessoas rirem", complementa ela, que sente-se injustiçada por ter sido indicada como falsa jornalista. "Minhas entrevistas não tem conteúdo jornalístico. Eu só falo sobre sexo".Com o intuito de diferenciar o que é enfoque noticioso do puro entretenimento, o Sindicato irá realizar, juntamente com a Rede Globo, pesquisas e estudos que deverão contar com a participação de professores renomados das principais faculdades de jornalismo do País. "A idéia partiu da própria Globo, até agora a única emissora que se propôs a encontrar uma solução", finaliza a advogada Silvia Neli.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.