Sindicato dos atores de Hollywood pede autorização para greve

Aapesar da ajuda de mediador federal, reunião entre o gigante Screen Actors Guild e os estúdios fracassou

Associated Press e Reuters,

22 de novembro de 2008 | 11h01

O principal sindicato dos atores da indústria de cinema e TV americana, o Screen Actors Guild (SAG), afirmou neste sábado, 22, que pedirá aos seus membros para autorizar uma greve após o fracasso da primeira reunião sobre contrato em quatro meses com os estúdios de Hollywood, apesar da ajuda de um mediador federal. O sindicato disse que adiou a reunião com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão, representantes dos estúdios, após duas longas sessões com mediador federal Juan Carlos Gonzalez. O SAG, que representa mais de 120 mil atores de filmes, televisão e outros meios, declarou em um comunicado que iria lançar uma "campanha direta de educação em prol de uma autorização para a greve". "Nós já tomamos decisões difíceis e nos sacrificamos para alcançarmos um acordo", diz a nota. "Agora é hora dos membros do SAG se unirem para fortalecer o comitê nacional de negociação para chegar a um acordo sobre eventual paralisação do trabalho". A declaração não especifica o que levou ao impasse, dizendo apenas que "os estúdios continuam a insistir em termos que não podemos aceitar". Um porta-voz da SAG disse que ela não poderia comentar mais. Uma ligação para o grupo dos produtores de filmes, conhecido como AMPTP, não foi imediatamente retornada. O quadro nacional do SAG já havia autorizado o comitê de negociação chamar votação para autorização de greve se a mediação falhasse. A votação deverá levar mais de um mês e exigirá mais que 75% de aprovação. Pelo menos um especialista em negociações contratuais em Hollywood sugeriu que o impasse pode se arrastar até o início do próximo ano, quando a possibilidade de uma greve poderia lançar sombra sobre a temporada do Oscar. Os estúdios cortaram as negociações com os representantes do SAG em 30 de junho, quando entregaram ao sindicato sua oferta "final", horas antes do término da vigência do contrato antigo que cobre 120 mil atores sindicalizados da televisão e do cinema. A oferta mais recente dos estúdios essencialmente reproduz termos aprovados por vários outros sindicatos de Hollywood, dos quais o mais recente foi um acordo fechado na quarta-feira entre produtores e a Aliança Internacional de Trabalhadores no Teatro, ou IATSE. A liderança do SAG continua a buscar termos mais vantajosos para os atores, enquanto os estúdios, representados pela Aliança de Produtores de Cinema e Televisão, se recusam a ceder. As duas partes se reuniram cara-a-cara pela última vez em 16 de julho, sem obter avanços. O mediador entrou em ação no mês passado a pedido do sindicato de atores. Na época, o conselho nacional do SAG disse que, se a mediação não resultasse em acordo, pediria aos membros do sindicato que autorizassem a convocação de uma greve. O índice de 75% de aprovação pode ser difícil de obter, em vista da situação econômica turbulenta nos EUA e do cansaço ainda remanescente da tumultuada greve de 14 semanas promovida pelo Sindicato dos Roteiristas americanos em 2007 e 2008, com o apoio do SAG. A greve dos roteiristas deixou milhares de trabalhadores de Hollywood parados, praticamente interrompeu a produção dos programas de TV do horário nobre e causou à economia de Los Angeles prejuízos estimados em US$ 3 bilhões. Além disso, forçou ao cancelamento da cerimônia de entrega dos Globos de Ouro e ameaçou prejudicar a entrega do Oscar, antes de ser fechado um acordo que encerrou a greve, em fevereiro.

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