Sinal aberto para a foto

Grandes coleções disputam séries de veteranos e novatos

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2013 | 02h17

Mais de 12 mil pessoas circularam pela sétima edição da SP-Arte/Foto, no Shopping JK Iguatemi, que terminou domingo. Para sorte das 25 galerias presentes, não eram só curiosos. Entre elas, estavam alguns dos maiores colecionadores de fotografia do Brasil. Foi, segundo a organizadora da feira, Fernanda Feitosa, a melhor edição, não só em resultado de vendas, mas da presença institucional da SP-Arte/Foto como instrumento de divulgação da produção local e internacional - fato confirmado por seis galerias e um escritório de arte que participaram da feira.

ESTRELAS

O preço médio das fotos comercializadas ficou em torno de R$ 30 mil, mas, evidentemente, estrelas internacionais como o brasileiro Vik Muniz e o espanhol Ballester alcançaram valores superiores a US$ 55 mil por foto. O maior comprador da feira não é de São Paulo, mas a Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, que arrematou não só séries de nomes consagrados, como Sebastião Salgado, como de jovens fotógrafos paulistas, destacando-se Flávio Samelo, que abandonou a pintura para fotografar skatistas e, depois, formas arquitetônicas da metrópole, fazendo reviver a estética do movimento concreto.

Samelo virou um fenômeno comercial na feira: a fundação cearense comprou toda a parede do fotógrafo em exposição na Galeria Logo, representante também de Fabiano Rodrigues, skatista profissional que virou fotógrafo e ficou conhecido por autorretratos dedicados ao registro de suas evoluções em museus da cidade (expostos na Bienal de Fotografia do Masp, em cartaz). Lançado na SP-Arte/Foto do ano passado, dele também foi vendida toda a série exposta na feira, segundo sua galerista Carmo Marchetti. Detalhe: o preço das fotos dos dois oscilou entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, três vezes menos que as fotos vintage comercializadas na feira por galerias como as de Luciana Brito e Jacqueline Martins e por representantes de três grandes fotógrafos dos anos 1950 e 1960: Ademar Manarini, José Yalenti e Paulo Pires.

Cinco fotos desses nomes ligados aos primórdios da foto experimental no Brasil foram vendidas a uma instituição de Ribeirão Preto por preços entre R$ 20 mil e R$ 35 mil, segundo a curadora da mostra vintage, Isabel Amado. "São fotos históricas e não queríamos vender para particulares", justifica. Igualmente histórico era o time representado pela Galeria Luciana Brito: Geraldo de Barros (1923-1998), Thomaz Farkas (1924-2011) e Gaspar Gasparian (1899-1966). Variando entre R$ 16 mil e R$ 40 mil, os preços atraíram novos colecionadores, segundo a galerista, que passou, na feira, a representante exclusiva do espólio de Farkas. O concretista Geraldo de Barros liderou as vendas. "Acho que demos um salto de qualidade nesta edição, e o público acompanhou, buscando não só o figurativo, mas complexas composições geométricas ", observa Luciana Brito, que representa um dos mais disputados contemporâneos, justamente Caio Reisewitz, conhecido por suas paisagens, cujas fotos têm um preço médio de R$ 80 mil.

PERFOMÁTICOS

Uma surpresa na feira foi a estreia da galeria de Jacqueline Martins, que apresentou só fotos de performances artísticas dos anos 1960 e 1970, de Yves Klein (a mais disputada) ao alemão Joseph Beuys (duas fotos vendidas). O preço médio desses registros, feitos por fotógrafos-colecionadores italianos, foi de R$ 30 mil (cada foto), mas a galerista vendeu por valor superior uma série de cinco fotos de uma performance dos anos 1980 do brasileiro Hudinilson Jr. (mais uma vez, para a Fundação Edson Queiroz, que recentemente comprou a biblioteca de Ciccillo Matarazzo). Pela série que mostra Hudinilson Jr. fotocopiando o próprio corpo num máquina de xerox, a fundação cearense pagou R$ 50 mil.

"Para mim foi uma surpresa, considerando que uma feira de arte num shopping pode ser problemática, pois as pessoas vêm aqui para comprar Chanel", diz a galerista Jacqueline Martins.

Veterana da feira, a galeria Nara Roesler não participou da edição do ano passado. Voltou nesta para vender o trabalho mais caro do evento, uma foto de Vik Muniz - collage inspirada numa natureza-morta do francês Monet: US$ 55 mil. Outro nome internacional exposto pela galeria foi o inglês Isaac Julien (preço médio: US$ 60 mil). "Nunca tivemos um trabalho específico dirigido ao colecionador de fotografia, pois esses artistas discutem outras questões em suas imagens", observa o galerista Daniel Roesler. "Os novos colecionadores estão mais informados, curiosos."

Já os veteranos, segundo o galerista Flávio Cohn, da Dan Galeria, buscam os nomes consagrados. Tanto que não se importam em pagar R$ 75 mil por uma foto do espanhol José Manuel Ballester, de 51 anos, que há três anos fotografou São Paulo. Entre os fotógrafos expostos pela Dan na feira, Cristiano Mascaro foi o mais vendido.

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