Acervo Estadão
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Símbolo do Cinema Novo, Norma Bengell morre aos 78 anos

Segundo amigos e parentes, atriz não quis fazer tratamento contra o câncer

Roberta Pennafort / Rio , O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2013 | 10h47

Embora quase não saísse de casa e estivesse fora de cena desde Toma Lá, Dá Cá (2009), o humorístico da TV Globo em que vivia a lésbica caricata Deise Coturno, a atriz Norma Bengell nunca foi esquecida por seus pares, que ontem lamentaram sua morte e lembraram sua trajetória múltipla, de atriz, cantora, diretora e musa dos anos 60. Ela tinha 78 anos e estava internada desde sábado na Clínica Bambina, no Rio. Seu quadro era de câncer no pulmão, mas, segundo contaram parentes e amigos, ela recusou tratamento.

Norma acompanhou a sofrida batalha da companheira, a produtora Sônia Nercessian, contra um câncer, e por isso preferiu não passar por sessões de quimioterapia. Sônia morreu em 2007, depois de 35 anos de relacionamento, e Norma, que descobriu estar doente há seis meses (já em estágio avançado), por conta do surgimento de uma trombose, nunca se recuperou.

Outros dissabores eram a decadência física – só se deslocava de cadeira de rodas desde que sofreu quedas em casa, em 2009 – e a falta de trabalho, causada não só pela imobilidade, mas também pelo problema fiscal nunca sanado decorrente do filme O Guarani (1996). As dificuldades financeiras a abalaram muito, mas a reparação recebida do governo federal por sua condição de perseguida política na ditadura a aliviou – foram R$ 100 mil, parcelados.

Amigos tentaram convencê-la diversas vezes a combater o câncer, mas ninguém conseguiu. O cineasta Silvio Tendler confirmou que Norma desistira da vida. “Ela estava deprimida desde a morte da Sônia, que era seu esteio. As pessoas falam que seu grande amor foi (o ator italiano) Gabriele Tinti (seu marido), e se esquecem da Sônia. Norma tinha uma vida difícil, sem dinheiro”. O corpo será cremado hoje e suas cinzas serão jogadas na pedra do Arpoador, local escolhido por ela.

Tendler está tocando um projeto idealizado pela amiga, um documentário sobre o cartunista J. Carlos. E, ainda este ano, deve ser publicada a biografia em que a atriz trabalhou por 15 anos, em edição organizada pela produtora Christina Caneca. Chama-se Norma e sairá pela editora NVersos. “Ela estava entusiasmada com o livro, só falava nisso nos últimos tempos”, disse Christina.

 

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