Silvio Santos, um homem de negócios imprevisível

Quase tão popular quanto a própria figura de animador de auditório é a fama de homem imprevisível que acompanha os negócios de Silvio Santos. A primeira vez que ele fez menção de vender o SBT foi em 1988. De lá para cá, vários episódios nesse sentido foram alardeados, ora com a Televisa, a rede mexicana com quem estaria negociando agora, ora com o grupo Warner, o Disney ou com o venezuelano Cisneros, com sede em Miami. O dono do baú dizia que queria se aposentar e que sua única exigência para a venda da emissora seria o fato de manter um programa seu aos domingos. O negócio não foi adiante. Só para citar dois episódios recentes de negociações conduzidas por Silvio Santos e que na hora agá não vingaram, pode-se enumerar os casos da Endemol, produtora que detém os direitos do Big Brother, e do instituto de pesquisas Datanexus.Em 2000, ele chegou a ir até Hilversun, na Holanda, para conhecer a base da Endemol, obteve acesso a todos os detalhes do Big Brother, e na hora de fechar contrato, declinou. Um ano depois, na surdina, colocou no ar A Casa dos Artistas, reality show nos mesmos moldes do Big Brother, para desespero da Globo, que tinha acabado de fechar contrato para produzir o reality show com a Endemol no Brasil. Processo para lá, liminar para cá, Casa dos Artistas acabou parando na Justiça acusado de plágio do Big Brother. No caso do Datanexus, o SBT investiu R$ 4 milhões para, pela segunda vez em sua história, tentar criar um instituto capaz de medir a audiência de TV. A idéia é ter um referencial diferente do Ibope. O lançamento estava inicialmente previsto para o segundo semestre de 2002, foi adiado para o início de 2003 e, um dia antes do medidor entrar em funcionamento, Silvio Santos cancelou o negócio. Dias depois, o empresário voltou a negociar com o cientista político Carlos Novaes, parceiro do SBT no projeto, a implantação do Datanexus. Mas, até agora, nada de assinar contrato.A reportagem do Estado apurou que o próprio empresário parecia entusiasmado, hoje, com a repercussão de sua entrevista à revista Contigo!, a quem disse que tem uma doença no coração e deverá morrer dentro de seis anos. À revista, Silvio disse que não voltaria mais a gravar seus programas, mas a equipe de suas atrações no SBT continua contando com ele para retomar ao expediente no dia 22. A viagem de volta ao Brasil, segundo a reportagem ouviu de um telefonema à sua casa, em Celebration, na Flórida, continua agendada para o dia 20.Na sede da emissora, na Anhangüera, não se falava em outro assunto. Na produção dos programas de Silvio Santos, Sete e Meio e Show do Milhão, tudo continua igual. Tanto é que o apresentador fechou há poucos dias uma parceria milionária com a Tim e a Nokia para reaquecer a audiência do Show do Milhão. A atração comandada por Silvio foi reformulada, ganhou novas regras e um novo método de participação do público no game show, mas é evidente que o apresentador se mantém à frente do quiz.O advogado de Silvio Santos, Dilermando Cigagna, também se mostrou surpreso com as declarações do empresário. ?Não tenho conhecimento de nada disso, nem de que ele está doente nem da venda o SBT.?Procurado, o cabeleireiro e amigo de longa data do apresentador, Jassa, não quis comentar o assunto. Mas disse aos mais próximos que Silvio Santos está brincando com todo mundo.A assessoria de imprensa do SBT diz não ter conhecimento das informações dadas pelo empresário. Procurado em Orlando, o apresentador não quis atender a reportagem do Estado. Passou a tarde de ontem no computador, acessando um programa que dá aulas de inglês.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.