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Silva faz apresentação hoje na Pompeia

Bem-sucedido no festival Sónar, cantor e compositor capixaba participa do projeto Prata da Casa

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2012 | 03h10

O nome dele é comum, mas a música que faz não é tão simples: é canção popular com texturas eletrônicas e referências da escola clássica. É como juntar Schumann, Nelson Cavaquinho, Ernesto Nazareth, Depeche Mode, Guilherme Arantes e James Blake, com sutileza e pulsação. Silva foi uma das boas surpresas do festival Sónar, no sábado no Anhembi, e toca hoje no Sesc Pompeia, dentro do projeto Prata da Casa, reservado a artistas em início de carreira. Capixaba de Vitória, Lúcio Silva de Souza pode parecer principiante profissionalmente, mas aí é que está o lado surpreendente: o resultado do que apresenta e as histórias que tem para contar são de um artista bem vivido.

Aos 23 anos, ele tem apenas um EP com cinco músicas, disponível virtualmente desde outubro de 2011, e se prepara para lançar o primeiro álbum pela gravadora Som Livre, com a qual acaba de assinar contrato. As cinco canções do EP devem entrar na segunda parte do álbum. Outras cinco ele já mostrou no show de sábado, com boa acolhida do público que chegou cedo ao festival.

"Venho compondo as músicas desde janeiro. O EP não é o que se pode chamar de eclético, mas é bem variado, mais tosco", avalia o compositor. "O álbum já é uma evolução, mais ácido. Vim de uma música muito orgânica. Morei um ano na Irlanda do Norte e tive muito contato com a música de lá", conta. "Cheguei no auge da crise econômica em 2009 e como não consegui trabalho fui tocar na rua."

O que ele fazia aqui antes tinha pouca relação com esse tipo de música, com alguma influência do folk, era "mais frenética". "Numa das canções do álbum peguei emprestada uma harmonia de Schumann. Acho lindo como ele conduz a progressão harmônica, sigo isso minuciosamente, gosto de pegar isso e colocar uma batida em cima", conta. "Sempre procurei trazer para a minha música essa vivência da minha família, principalmente de minha mãe, que é pianista erudita. E também procuro agregar o que meus amigos ouvem ao que eu faço."

A mãe de Silva é professora de música, especializada em iniciação musical para crianças, e hoje dá aulas para idosos na universidade. "Somos três filhos, sou o mais novo. E como minha mãe não tinha onde me deixar, me levava para o trabalho. Foi aí que comecei a me interessar por música. Minha irmã também toca violino. Meu irmão estudou sax, violino e piano, mas tem ligação mais forte com literatura."

Estimulado pela mãe desde os 2 anos de idade, Silva está no último período de formação em violino clássico. "Tentei direito, jornalismo, mas não passei em nada. Se eu tirava zero em matemática minha mãe não ligava. Se tirasse 6 em violino ficava de castigo", conta. Além desse instrumento, ele toca teclado, baixo e guitarra, é cantor de belo timbre, que prima pela sutileza. Nos shows, tem se apresentado apenas com um baterista. Não precisa mais do que isso para produzir um som encorpado.

Ele já passou por algumas bandas de rock e aderiu melhor à música eletrônica depois de viver na Irlanda. "Aprendi a gostar da música pop dos anos 80, que eu detestava, sintetizadores, drum machine." Silva reconhece que é muita informação chegando o tempo todo, não dá para juntar tudo. "Ao mesmo tempo em que tento ser atual, acho importante me colocar no contexto da história, como todo mundo sempre tentou."

Com canções pop cativantes como 12 de Maio e A Visita, Silva encontra paralelo na música do paulista Pipo Pegoraro e do carioca Cícero e tem potencial para conquistar público maior, sem abrir mão da sofisticação.

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