Siedah Garret, autora de Man in the Mirror, lembra Bad

Entrevista

O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2012 | 03h07

Um dos cinco number 1's de Bad é o catártico hino à autossuperação Man in the Mirror. Composta por Siedah Garret e Glen Ballard, a música trouxe ao disco o tom espiritual que Quincy Jones buscava para uma de suas faixas. Na entrevista seguinte, a cantora e compositora, que também está no dueto I Can't Stop Loving You, do mesmo disco, falou ao Estado sobre a canção, Michael e Quincy Jones.

"Eu tinha contrato com Quincy há dois anos, quando ele nos chamou para uma reunião e nos deu os parâmetros para uma nova faixa, a última que ele precisava para completar o disco. Eu liguei para o Glen (Ballard, também famoso por produzir o disco 'Jagged Little Pill', de Alanis Morissette), e fomos compor em sua casa. Alguns anos antes, eu estava em uma sessão com outro parceiro, o telefone tocou e eu ouvi ele dizer 'o homem'. 'Que homem?', pensei eu. O homem no espelho, respondi e registrei no meu livrinho. Não sei por que, lembrei disso quando estava compondo com Glen. De repente ele tocou a introdução de Man in the Mirror ao piano e a frase pulou da página. Comecei a rabiscar as letras freneticamente e, em 10, 15 minutos, tínhamos o verso e o refrão da música. Fui para casa para terminar o verso e pensei 'vamos mostrar isto no fim da semana para Quincy'. Assim que fizemos a demo, sabíamos que havíamos composto uma canção realmente incrível, mas não havia garantia de que Quincy iria gostar da música, tampouco havia garantia de que Michael gravaria a música. Na época, ele estava no estúdio, fazendo o disco, há dois anos, e em geral, ele não gostava de gravar coisas que ele não tinha ajudado a compor. Decidi ligar para o Quincy, mas ele me disse para entregá-la no fim da semana. Eu disse 'não, você tem que ouvir isso agora'. Então, ele me deixou ir à sua casa para entregar a demo. Quando cheguei lá, a empregada me recebeu e me levou a uma sala onde Quincy estava reunido com uns 12 tipos engravatados, todos de cargos importantes na gravadora. Entreguei a demo a ele e duas horas depois ele me ligou, e disse: 'Siedah, essa é a melhor canção que eu ouvi nos últimos 10 anos'. Fiquei tonta, e me desconectei do que ele estava falando, algo sobre como Michael queria mais quatro compassos no refrão. Para mim, ouvir algo assim de Quincy Jones era completamente surreal. Quase falei para ele 'me dá um tempinho para processar o que acabou de me dizer'. De repente, Michael pega o telefone e me diz quanto tinha adorado a minha voz, daquele jeito criança e extremamente bem-educado dele. Fomos para o estúdio e acabei cantando em Man in the Mirror. Foi quando Michael apareceu e me filmou cantando a música. Ele disse 'eu quero aprender a fazer como você'. Você acredita? Isto vindo do Rei do Pop. Em um dos dias das gravações, Quincy me mostrou uma outra música, I Can't Stop Loving You, e perguntou se eu queria gravá-la. De repente me encontrei, frente a frente com Michael Jackson em estúdio, a gravação rolando. Até hoje não consigo acreditar. / R.N.

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