'Shows são a trilha sonora da minha vida'

A carreira consagrada no teatro, TV e música não impediu que Lucinha Lins sentisse os temores de uma iniciante na concepção de Rock in Rio - O Musical. Como Glória, mãe do protagonista Alef, ela é responsável por momentos tocantes, quando emerge sua força como intérprete.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2013 | 02h08

O que a convenceu a participar do musical?

Primeiro, eu queria trabalhar com João Fonseca, que me encantou pela direção de Tim Maia - O Musical. Ele incentiva o ator a criar e não apenas a representar. Outro motivo era contar a história do Rock in Rio, cujos shows fazem parte da trilha sonora da minha vida.

É verdade que Fonseca te consultou sobre cantar Desesperar Jamais, composta por Ivan Lins e Vitor Martins?

Sim. Ele acreditava que eu ficaria incomodada em cantar uma música de meu ex-marido, quando, na verdade, sou a fã número 1 do Ivan. Também acompanhei a criação de Desesperar Jamais, que se tornou símbolo da abertura política.

Sua interpretação é recheada de uma alta carga dramática.

João me pediu para criar a cena, que mostrava o desespero de Glória por não encontrar o filho. Decidi mostrar primeiro sua tristeza até que, utilizando a letra da canção, revelasse sua força em não desistir. Quando fiz a primeira vez, percebi que quase todo o elenco estava chorando.

Também Poeira, que incentiva a alegria na voz de Ivete Sangalo, ganhou uma representação mais emotiva com você.

Eu nunca tinha prestado atenção na letra e foi só no musical, quando a canção revela o amor que a mãe sente pelo filho, é que percebi tanta ternura envolvida. O mais surpreendente foi descobrir a reação da Ivete. Ela assistiu à estreia para convidados e, no camarim, veio ao meu encontro às lágrimas, dizendo: "Você sabia que, quando estava grávida, eu acariciava minha barriga e cantava essa música para o meu filho? Nunca contei isso para ninguém, apenas meu marido sabia disso". Foi um comentário que me tocou muito. / U.B.

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