Victor Vivacqua
Victor Vivacqua

Shows e baladas voltam em SP, mas com o uso de máscaras

Governo implementa nova fase de combate à covid a partir do dia 1.º de novembro, com calendário de festas tradicionais

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 05h00

São Paulo é uma cidade que funciona por meio das relações humanas e de sua vida cultural. Com a pandemia interferindo e interrompendo esses dois elementos, passamos a viver em um lugar um pouco mais moribundo. Essa é uma reflexão do pesquisador musical e DJ Tutu Moraes, criador de uma das festas mais longevas e importantes da cena paulistana, a Santo Forte. 

Com 16 anos de existência (contando o período pandêmico), a festa de música brasileira interrompeu suas atividades presenciais em março de 2020 – para retomar agora, com datas confirmadas para os próximos dias 6 e 20 de novembro. A partir do dia 1.º do próximo mês, o governo paulista deve implementar uma nova fase do Plano São Paulo de Combate à covid, autorizando festas e shows com pessoas em pé e pistas de dança (ainda com a obrigatoriedade do uso de máscaras e de apresentação de comprovante de vacinação). “Com responsabilidade e ética, podemos voltar a fazer as pessoas felizes. Vamos começar a tirar a pandemia de dentro da gente”, disse Tutu.

De acordo com Adipe Neto, sócio da Santo Forte e produtor de outras festas importantes em São Paulo, além de seguir os protocolos do evento, a festa (que acontecerá no Fabrique Club, na Barra Funda) contará com um público menor do que o habitual. “Teremos um fluxo mais tranquilo. Vamos trabalhar com a Vigilância Sanitária. Nós somos os principais interessados em não fechar tudo de novo. São Paulo é muito dura. As festas e o entretenimento noturno nos ajudam a nos sentir vivos”, disse Neto.

Além da Santo Forte, outras festas já estão marcadas para acontecer entre novembro e dezembro. É o caso da Lunática (5 e 19 de novembro – sempre realizada em períodos de lua cheia, com público LGBT+), Talco Bells (10 de dezembro – festa de soul music) e Baile da Massa Real (11 de dezembro – dedicada à música baiana). Todas elas irão acontecer no Fabrique, na Barra Funda (Rua Barra Funda, 1071). A Jazz Mansion (11 e 12 de dezembro, com shows de jazz que irão acontecer na Vila dos Ingleses, na Rua Mauá, 836) e a Javali (6 de novembro, com pop, funk e hits em geral, vai acontecer, em local aberto, ainda não divulgado). 

Studio SP

Um marco importante vai acompanhar o retorno das festas e shows na capital. Trata-se da reabertura do icônico Studio SP, no dia 19 de novembro. Depois de 8 anos do seu fechamento, a casa vai reabrir temporariamente em seu endereço original, na Rua Augusta, 591 (o funcionamento previsto é até dezembro de 2022).

Além de seguir todos os protocolos sanitários, inclusive com a adoção do chamado passaporte da vacina, a volta do Studio tem propósitos maiores: “O projeto do Studio simboliza nosso desejo de retomada cultural e da articulação da cena que ele representou”, disse o produtor cultural e ex-secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo Alê Youssef. 

A casa, que foi residência constante e serviu como base de lançamento de nomes importantes da música brasileira, como Céu, Criolo, Tulipa Ruiz, Otto, Karina Buhr, Cidadão Instigado e outros, também quer representar a resistência contra a especulação imobiliária. “A reabertura do Studio tem essa função de zelar pelos territórios culturais de São Paulo. Não é de hoje que a especulação imobiliária está fechando espaços históricos da cultura e da noite da cidade. A reabertura do Studio simboliza essa resistência”, completou Youssef. 

O Studio SP reabre no próximo dia 19 com o show da cantora Céu. No dia seguinte, 20 de novembro, Kleber Simões – o DJ KL Jay – retorna ao palco do Studio SP com o projeto inédito Zumbi Funk. Com programação até o final do ano, nomes como Otto, Tiê, Bixiga 70, Inocentes e outros já estão confirmados.

Baladas

Assim como festas e shows, as baladas começam a voltar aos seus formatos originais. Quem estava aberto com uma configuração de bar (com pessoas sentadas) volta a permitir pessoas em pé (ainda que com máscaras em momentos em que não estiverem consumindo). É o caso da Galeria Café São Paulo (Praça Benedito Calixto, 103, Pinheiros), Yacht Club (Rua Treze de Maio, 703, na Bela Vista) e Club Jerome (R. Mato Grosso, 38, Consolação). 

“Eu acredito que estamos passando por um momento de transição. É normal que existam mais dúvidas do que respostas. Estamos seguindo os protocolos com cuidado. Não queremos nos expor e nem expor o nosso público. Mas vamos sair fortalecidos deste momento”, disse Cacá Ribeiro, o empresário e responsável por casas como Jerome, Yacht e Lions. É importante lembrar que, apesar do avanço do Plano São Paulo e da própria vacinação, os especialistas continuam ressaltando a necessidade de uso de máscaras e do distanciamento – bem como a preferência por locais abertos. 

Réveillon

Inevitável que com as novas possibilidades de festas, shows e baladas, a cidade já começasse a viver a expectativa das festas de réveillon. Alguns hotéis já estão anunciando e vendendo seus pacotes de final de ano. O Hyatt, por exemplo, começou a venda de festa de Natal e de ano-novo – para o Réveillon não é possível comprar apenas a festa, mas sempre a festa com a hospedagem (a ceia de Natal pode ser adquirida sem a hospedagem). 

O Seen São Paulo, no alto do hotel Tivoli Mofarrej, está organizando uma ceia de Natal e réveillon. Já no hotel , irá organizar a festa de réveillon. Baladas como a Tokyo, na região central de São Paulo, estáo programando uma festa para o último dia do ano.

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