Show por uma boa causa

A série Tucca, em benefício de crianças e adolescentes com câncer, será aberta no dia 11 de abril com um concerto do violinista inglês Nigel Kennedy na Sala São Paulo. Em entrevista, o músico revela que a noite vai começar com Bach e terminar com um tributo ao pianista de jazz norte-americano Fats Waller (1904-1943). Kennedy vem acompanhado de três amigos poloneses, os músicos Jarek Smietana, Jaron Stavi e Krysztoff Dziedzic. Casado com uma polonesa, Agnieszka, o violinista divide seu tempo entre Cracóvia e Worcesteshire, residência da ex-mulher e do filho.

AE, Agência Estado

21 de março de 2012 | 10h23

Muito envolvido com a cena jazzística polonesa, que deu ao mundo músicos como Krzystof Komeda (autor da trilha de O Bebê de Rosemary) e Tomasz Stanko (Madre Joana dos Anjos), Nigel Kennedy gravou há quatro anos o CD A Very Nice Album com seu quinteto, tocando ao violino elétrico algumas composições jazzísticas de sua autoria. Ele já havia registrado, em 2006, o disco The Blue Note Sessions ao lado dos gigantes do jazz Ron Carter, Jack DeJohnette e Joe Lovano. Criado no meio erudito (a avô e o pai eram violoncelistas e a avó, pianista), Kennedy fala da sua rebeldia, da paixão pelo jazz e pela música pop (ele gravou Hendrix, The Doors e adora o rapper Jay Z). Confira alguns trechos da entrevista.

- Parece incrível, mas tudo o que se publica sobre você começa como uma frase do tipo "Nigel Kennedy não mostra sinais de mudança", o que me parece impossível para qualquer um, especialmente você. Como se definiria aos 55 anos? Um rebelde com uma causa política que toca para mudar o mundo ou um músico que se tornou rebelde por causa das injustiças desse mundo?

- Se você não suporta mais ler frases como essa, imagine como eu me sinto. Chega uma hora em que é preciso parar de ler todas essas baboseiras que escrevem sobre você. Se forem levadas a sério, podem de fato arrasar qualquer um. Sou rebelde por natureza. Odeio que me digam o que fazer, como fazer, o que tocar, como tocar. Não toco para mudar o mundo, de maneira nenhuma. Gosto de explorar ideias e, em relação à política, como qualquer outro, acredito no que acredito e essas crenças nada têm a ver com música.

- Certa vez você disse que tocar os clássicos é pensar constantemente na arquitetura da peça e que o jazz lhe parece mais espontâneo. Como você concilia ambas as maneiras de tocar, uma vez que transita nas duas áreas?

- Você tem razão: por serem diferentes disciplinas, exigem abordagens distintas. Acredito que a música clássica ainda tenha relevância hoje, pois não faria sentido tocá-la se ela não tivesse nada de novo a dizer. Algumas composições são atemporais, como as de Bach. Toco-as constantemente. Para tocar os clássicos, é preciso ser disciplinado. Eu, por exemplo, paro de beber dias antes de qualquer apresentação - claro que, depois, é outra história! Com o jazz, embora se trate igualmente de música séria, você tem mais liberdade no palco. A comunicação, na área clássica, nem sempre conduz a uma verdadeira comunhão entre a orquestra e o solista, pois às vezes não dá tempo para ensaiar e se conhecer. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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