Show em brasília encerra ciclo

O quarto e último show do projeto Voa Viola - hoje na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional de Brasília - vai reunir Renato Teixeira (acompanhado de seu filho Chico, tocando viola), Roberto Corrêa, Ricardo Vignini e, como nos anteriores, 3 dos 12 artistas escolhidos por votação popular pela internet. A jovem mato-grossense Bruna Viola (de 17 anos), é representante da categoria canção. Os outros são duplas da categoria instrumental: Duo de Viola e Acordeon, da cidade gaúcha de Caxias do Sul, e Duo Viola e Cravo, de Campinas (SP).

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Conhecia como "violeira universitária", Bruna chegou a gravar participação na novela Paraíso, da Rede Globo. O duo gaúcho é formado por Valdir Verona e Rafael De Boni, que tanto influência da música folclórica do Sul e da música clássica. Em 2007 lançaram o álbum Encontro das Águas. No mesmo ano, igualmente fundindo erudito e popular, Ricardo Matsuda (viola) e Patricia Gatti (cravo) juntaram os talentos e em 2009 gravaram o elogiado CD Contos Instrumentais, com composições de Matsuda.

Sempre com anfitrião diferente e tendo um violeiro convidado e uma atração de grande alcance popular, a etapa dos shows começou pelo Recife com participações do paulista Passoca, do mineiro Pereira da Viola e Antônio Nóbrega acompanhado de Adelmo Arcoverde, ambos pernambucanos. Os selecionados pelo público foram Daniel de Paula (MT), José Mauro e Wilson Dias, ambos mineiros.

O show de Belo Horizonte teve Chico Lobo como anfitrião, Jaime Alem (mais conhecido como arranjador de Maria Bethânia) mostrando sua porção violeiro e Lenine dialogando musicalmente com Heraldo do Monte. Catireiros do Araguaia (MT), a dupla Roney e Susano, de Uberlândia (MG) e Tradição do Jalapão (TO) entraram como os escolhidos do público. "Heraldo é muito importante para nós, violeiros, porque foi ele quem introduziu a viola na MPB com Disparada, com Ponteio, com o Quarteto Novo na década de 60", observa Roberto Corrêa.

Corrêa acompanhou Mônica Salmaso no show de São Paulo, que também trouxe a dupla Zé Mulato e Cassiano e o outro curador do Voa Viola, Paulo Freire. Os inscritos contemplados foram o jovem grupo paulista Conversa Ribeira (de Campinas), o mineiro Fernando Sodré e a dupla Julio Seda e Rafael, de São João da Boa Vista, interior paulista.

"Em São Paulo fizemos uma homenagem a Inezita Barroso nos seus 85 anos, entregamos prêmio a ela, que fez um dueto lindo com Mônica Salmaso", diz Corrêa. Cinco tipos diferentes de viola entraram no concurso: viola de buriti, viola de cocho, viola machete (do Recôncavo Baiano), viola caipira e nordestina.

Do virtual para o real. Nesses encontros, a mudança de situação do virtual para o real se deu não apenas no aspecto da música, mas nas relações pessoais. "Uma coisa muito importante no projeto foi o seminário que fizemos em Belo Horizonte durante dois dias, sendo um deles coincidindo com o show", conta Corrêa. "Colocamos todos os participantes no bairro Venda Nova, que é uma espécie de cidade do interior. Todo mundo participava dos shows, das palestras e depois ia tocar em rodas ali nos chalés. Tinha catira, moda de viola, todo mundo convivendo. Foram 130 pessoas da rede, que ficaram se comunicando virtualmente e foram lá para se conhecer pessoalmente."

O mineiro Chico Lobo acabou fazendo uma parceria com Chico Nogueira, de Brasília. Não se conheciam antes. "A gente conseguiu fazer uma espécie de varanda coletiva, em que os violeiros trocam informação, contam casos, inventam histórias", diz Corrêa. "E é interessante como a rede social pegou, porque a gente não sabia se os violeiros iam se comunicar. Então, de repente, vimos que havia espaço para nosso sonho." .

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