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Fábio Porchat
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Show do intervalo

Fui assistir ao primeiro jogo da final do Paulistão no novo estádio do Palmeiras. Impressionante. Um estádio lindo, de primeiro mundo, todo equipado, realmente sensacional. Entrei no estádio 40 minutos antes de começar o jogo e quem vai a estádio sabe que não há nada mais chato do que ficar um tempão esperando o jogo começar sentado na arquibancada sem fazer nada. Ainda mais que não se pode beber nem uma cervejinha. (Medida que apoio totalmente, aliás.)

Fábio Porchat, O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2015 | 02h00

Foi aí que me dei conta de que o país do futebol não sabe organizar uma partida de futebol. Não digo pelo nível da partida, mas sim pelo tipo de entretenimento disponibilizado ao torcedor antes, durante e depois do jogo. Vou usar como exemplo essa partida, mas o que vou falar vale para qualquer outra.

Começou assim: do nada entraram umas 12 mulheres vestidas de cheerleaders, fazendo uma coreografia desinteressante e bobinha no meio do campo. Elas tavam tão lá longe que não dava nem pra saber quem era gostosa ali. Aí, para “alegrar” a galera, entram três mascotes da Federação Paulista. Personagens que ninguém faz a menor ideia de quem sejam. Eles ficam dando volta no campo dando tchau para as pessoas. As crianças não se animam e os adultos torcem para vê-los caindo no chão. E é isso. Fica tocando uma música alta para as meninas dançarem e acaba. A única coisa que levantou a galera, foi quando dois caras passaram jogando camisetas para a arquibancada.

Tive o prazer de assistir a uma partida de basquete nos EUA. Não sou fã de basquete e o jogo era entre Denver e Dallas, um joguinho bem safado. Mas olha, que maravilha. O narrador é um animador de festa, sempre incendiando a torcida. Conversa, interage e nos diverte. O telão faz todos participarem, seja cantando, seja entoando um grito de guerra, seja mostrando partes da plateia. Isso mesmo, plateia. Aquilo ali não é um jogo, é um espetáculo.

Nos intervalos, os mascotes brincam com todos, arremessam bolas do meio de campo, fazem um teatro que deixa você querendo que o jogo espere um pouco mais para começar. Algumas pessoas são sorteadas na arquibancada para fazerem arremessos.

As cheerleaders dançam, pulam, fazem acrobacias e são integradas à quadra. Daqui a pouco, entra um trampolim e as pessoas enterram nas cestas. Enfim, um show à parte. Por que aqui tudo tem que ser de qualquer jeito? Por que os times não se esforçam meia vírgula para fazer o torcedor participar mais daquilo. Você atrairia mais famílias pros estádios, o clima fica mais descontraído, evita tumulto na entrada... Não é possível que um país que organiza as melhores festas do mundo não consiga fazer uma distração decente de dez minutos no intervalo entre um tempo e outro.

As pessoas pagam uma fortuna para assistir a um jogo vagabundo no medíocre Campeonato Carioca e só falta elas ganharem um chute na canela de recompensa. E, às vezes, ganham! Acho que os clubes podiam se coçar e começar a tentar trazer o público de volta aos estádios, oferecendo mais às pessoas. É claro que quem vai ao estádio vai para ver o jogo, mas mais que isso, ela vai para se divertir. É um programa que, se bem realizado, vai fazê-la querer voltar. 

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