Sheena, a Rainha das Selvas terá nova ´roupagem´ em 2007

Clássicos não têm idade. Criada originalmente em 1937 por Jerry Iger e Will Eisner, Sheena, a Rainha das Selvas, deve ganhar uma nova versão "latinizada" em junho de 2007. A revista será publicada pela editora Devil´s Due, cujo lema é "Pop Culture is Our Culture" ("cultura popular é a nossa cultura"). Uma versão de Tarzan de saias, a loira de fartos atributos físicos receberá todo cuidado de seus autores, Paul Aratow e Steven Souza, em sua reformulação. Com uma única diferença da original: em lugar de ser uma protetora das selvas africanas, Sheena será uma minimalista heroína vinda da América do Sul."Hoje, o mercado e as forças geopolíticas que mantinham o interesse e imaginário popular na África no início do século 20 se voltam com força renovada para a América do Sul", diz Josh Blaylock, presidente da editora. Quando a mudança parece ser muito brusca, Blaylock justifica: "É onde a ação está hoje. É onde a aventura acontece."Hora de voltarDepois do sucesso de outras personagens, como Red Sonja, (velha "companheira" do herói cimério Conan), Buffy, a caça-vampiros da televisão, e Lara Croft, da série de videogames Tomb Raider, pareceu ser a hora certa para publicação de Sheena. "Eu estava lendo um artigo da Time sobre um dia de nossos soldados no Iraque, e havia um pôster de Sheena desenhado por Dave Stevens pendurado em uma barraca.", disse Steven Souza. "É pinup dos soldados americanos há mais de sessenta anos." Nesses termos, se é bom para os soldados, é bom para o público em geral. Para que fique claro, a intenção dos editores não é fazer de Sheena mais uma heroína seminua às voltas com situações de perigo. "Temos muito disso, mas [a história] envolve espionagem corporativa, mitologia, tudo ligado a uma cidade antiga que data a uma era pré-Maia", explica o editor ao localizar as histórias da heroína próxima às frias cordilheiras andinas. As imagens iniciais da revista, no entanto, podem confundir o leitor desavisado. Armada de um arco, Sheena é vista montada no lombo de uma pantera. Até que se prove o contrário, nenhum animal como esse jamais visitou as florestas sul-americanas. Mais ainda, provavelmente os últimos espécimes devem ter habitado alguma página das histórias de Kit Walker, alter-ego de outro herói, o Fantasma. Se a cultura popular é a nossa cultura, supõe-se que nossa cultura seja um tanto mal informada. Mas sem problemas. Afinal quem leva gibi tão a sério? Na pior das hipóteses, a revista dará um excelente pôster de parede.

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