"Shazam!" faz oposição entre corpo real e virtual

Em frente de uma janela, observando a cidade, Philippe Decouflé admira-se com o que considera um "cenário Blade Runner". Será diante dessa "misteriosa" São Paulo que ele, um dos mais populares coreógrafos franceses apresenta-se amanhã e depois, no Teatro Alfa, com Shazam!, que ele considera o seu trabalho mais bem-acabado.A obra fala do ato de fazer um espetáculo e, para tanto, faz uma ligação direta entre imagem, música e dança. "As artes vivas, isto é, a dança e a música, dividem o palco e garantem dinâmica a Shazam!, afirma Decouflé. Já as imagens, que ele chama de "fantasmagóricas", são tratadas de maneira criativa e incomum."Escolhemos imagens fantásticas, uma oposição entre o real e o virtual; é como o olho do espectador, que pode escolher entre o global e o detalhe nas cenas que surgem", explica. O cinema foi uma das expressões artísticas que mais influenciaram o artista. Daí vieram as idéias de enquadramento, granulatura da imagem, entre outros recursos.Decouflé utilizou espelhos que, além de refletirem as imagens, podem multiplicá-las e repeti-las, dando oportunidade ao espectador de escolher aquilo que quer ver. Algumas cenas foram registradas anteriormente, outras são feitas no momento do espetáculo. Além disso, filmes que foram gravados fora do espaço cênico são projetados durante a apresentação. "Dessa forma, é possível que o público veja como é feito o espetáculo por meio dessas filmagens e entenda a proposta de Shazam!."Aqui está a mágica. Shazam! e os bailarinos fazem parte das experimentações de Decouflé ao se misturarem com as imagens, mostrando a oposição entre o corpo real e o virtual. O grupo, a Dance Compagnie des Artes, também conhecido por DCA, aparece quase nu, sem aparatos ou figurinos exóticos. "Eles mostram a fragilidade do corpo, improvisam e fazem um espetáculo vivo", explica o coreógrafo. Decouflé exige, com suas coreografias, que os bailarinos sejam um tanto quanto contorcionistas, mas eles sempre atuam com bom humor.Shazam! é um espetáculo diferente dos demais, trabalhoso e, sem dúvida alguma, o meu preferido", ressalta Decouflé. Para ele, essa é uma experiência nova, que está no palco desde 1996. Nos trabalhos anteriores - Triton e Decodex -, o artista utilizou técnicas circenses e aparatos exóticos, como máquinas voadoras, nas apresentações. Agora, brinca com as imagens.Sossego - Quando indagado sobre os seus projetos futuros Philippe Decouflé não titubeia na hora de responder: "Férias! Preciso descansar!" Há dez anos na estrada, tornou-se um dos mais populares coreógrafos franceses depois de Maurice Béjart. Em 1992, participou da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Albertville, na França.Atualmente está apresentando dois espetáculos: Shazam! e Triton. "Para mim é importante dar continuidade a um espetáculo", explica. "Essas coreografias estão muito ligadas às pessoas, e, quando chegamos ao fim da turnê, o espetáculo acaba." É por isso mesmo que Decouflé não reapresenta os seus espetáculos. "O que me interessa é criar, renovar e descobrir novas coisas." Também é por esse motivo que ele quer férias. "Preciso conhecer novas coisas, novos elementos para aplicar no meu trabalho, dez anos de atividades esgotam o potencial criativo", ressalta.É a segunda vez que o artista está no Brasil, a primeira foi em 1984, numa turnê com Regine Chopinot, quando ainda era integrante de sua companhia, e desembarcou em Salvador, na Bahia. Em 1992, apenas a DCA esteve por aqui para a abertura do Festival Internacional de Artes Cênicas (Fiac), no Teatro Municipal.Shazam! - Cia. DCA de Philippe Decouflé. Direção de Pascale Henrot. Duração: 90 minutos. Amanhã, às 21 horas; sábado às 16 e 21 horas. De R$ 20,00 a R$ 90,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, em São Paulo, tel. 0-XX-11-5693-400.

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