Sexo soft no filme do verão

Santucci mistura sex shop e família com humor em De Pernas Pro Ar

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Logo no começo de De Pernas Pro Ar, a personagem de Maria Paula arrasta Ingrid Guimarães para conhecer sua sex shop. A reação da personagem de Ingrid - uma mulher que foi abandonada pelo marido, perdeu o emprego e tem plena consciência de que está mal-amada - é a pior possível. Diante da loja, ela vacila. Acha aquilo podre - a fachada, o ambiente. Quando entra, o tom é outro. É a proposta da comédia de Roberto Santucci já em cartaz em pré-estreia, mas que entra oficialmente amanhã. A maioria das salas nem abre nesta sexta-feira.

O cinema brasileiro, aquecido pelo sucesso de Tropa de Elite 2, espera faturar mais algum com essa comédia. Ingrid está animada. "Nosso trailer passa com o do filme do (José) Padilha. Muita gente já me disse que está louca para ver De Pernas Pro Ar." A cena no começo do texto é particularmente importante, do ponto de vista do diretor Santucci. Há alguns anos, ele fez Bellini e a Esfinge, baseado no livro de Toni Bellotto, com Fábio Assunção no papel do detetive e Malu Mader como garota de programa. A câmera de Santucci captava bem o ambiente sórdido dos inferninhos. Parece que vai voltar àquele universo.

"Para falar a verdade, minha visão era mais podre. Eu queria uma sex shop mais escura. A desenhista de produção foi que veio com aquela proposta e a (produtora) Marisa (Leão) me convenceu de que a plateia feminina ia gostar mais." Roberto Santucci está ficando mais "família", mesmo que o mundo das sex shops ainda seja tabu para muita gente. Para falar deste filme, talvez seja interessante relatar alguma coisa sobre o anterior, que Santucci fez entre Bellini e o que estreia agora.

Alucinados foi rebatizado como Sequestro Relâmpago. É o filme micado do diretor. Feito sem dinheiro, com a cumplicidade da equipe, foi condenado ao limbo. "Com a desculpa de que ninguém mais aguenta filme sobre violência, não consegui distribuição. Mas não é verdade, pois o Tropa 2 arrebentou na bilheteria." Santucci andava desanimado, sem perspectivas, quando leu uma nota na coluna de Joaquim Ferreira, no Globo, sobre Érica Rambalde. A empresária trocou o mercado financeiro pelo erótico ao descobrir o filão das sex shops. Sua sacada foi criar um serviço de entrega em domicílio, para evitar o constrangimento de que suas clientes - as mulheres - fossem vistas em lugares em geral tão mal-afamados.

Santucci achou a história interessante. Comentou com uma amiga. Começou perguntando se ela havia lido. "Todas as mulheres leram", foi a resposta. Êpa - o diretor desempregado farejou o sucesso. "Isso dá filme." Ele correu às distribuidoras. Por meio da Downtown, chegou à produtora Marisa Leão. No início, a protagonista era enredada pela irmã no negócio das sex shops. Com Marisa, virou a vizinha sexy. A protagonista descobre os "brinquedinhos". Os roteiristas contratados trabalham com Ingrid Guimarães, ela foi incorporada.

O diretor trabalha com um esquema sólido de produção e distribuição e com um elenco de sonho (Ingrid, Maria Paula, Denise Weinberg, Bruno Garcia, etc.). O ambiente sórdido ganha um tom light. A mulher carente descobre o orgasmo com um coelho de brinquedo, corre atrás do marido com um pênis artificial e tudo culmina numa grande feira de sexo. Nas sessões de pré-estreia, o público, e as mulheres, adoraram. Safadeza soft. De Pernas Pro Ar quer ser o filme do verão.

DE PERNAS PRO AR

Direção: Roberto Santucci.

Gênero: Comédia (Brasil/ 2010, 90 minutos).

Censura: 14 anos.

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