"Sexo e a Cidade" volta à TV brasileira

Volta finalmente às telas brasileirasna segunda-feira um dos maiores fenômenos da TV americana nosúltimos anos. A série Sexo e a Cidade passa a ser exibidapelo canal por assinatura Multishow depois de longas férias -período em que o programa virou ícone da cultura pop da viradado milênio e deu voz a toda uma geração de mulheres solteiras emodernas vivendo em grandes centros urbanos. Para quem perdeu ofio da meada, é uma boa oportunidade de entender o hype em tornodo programa, já que o Multishow começa a exibir a série desde aprimeira temporada.Sexo e a Cidade estreou discretamente no fim dos anos 90no canal por assinatura americano HBO, resgatando Sarah JessicaParker (dona, até então, de uma carreira apenas morna no cinema)e apresentando as desconhecidas Cynthia Nixon, Kristin Davis eKim Cattrall. Além de chamar atenção por conta da interpretaçãobem-resolvida e bem-humorada sobre a dificuldade dosrelacionamentos em Nova York, o programa também mostrou pelaprimeira vez com exatidão o universo das trintonas descoladas dacidade.Embalada por uma produção de figurinos feita pela lendáriaPatricia Field (importante figura da cena Dowtown nova-iorquina), a série introduziu ao mainstream americano modas, palavras,drinks, acessórios e outras manias antes reservadas a um pequenogrupo de insiders da cidade. Sexo ajudou a popularizar oCosmopolitan (drink cor-de-rosa à base de vodka), os sapatosManolo Blahniks e termos como "Manthrax" (mistura de "man",homem, e "anthrax", apelido dado para homens "tóxicos").Além de adotar uma linguagem fresca, fazer referência aosrestaurantes da moda e incluir atualidades na trama, a sérieacerta principalmente ao fazer humor a partir de coisas que sãoimportantes para os nova-iorquinos e talvez tenham passadodespercebidas no resto do mundo. O episódio final da atualtemporada, por exemplo, vai girar em torno do casamento de umaestrela decadente com um empresário gay - uma referência a LizaMinelli e David Gest, que viraram obsessão na cidade há poucosmeses.Em suas quatro temporadas, o programa já mudou bastante deperfil - inclusive por conta de eventos como os atententadosterroristas de setembro e da gravidez de Sarah Jessica Parker (aatriz vai ter um bebê em poucas semanas). A primeira temporada éuma das mais engraçadas. É onde são exploradas apersonalidade de cada uma das "meninas". A segunda e aterceira temporada têm tramas que acabam mudando mais o rumo daamizade do quarteto, enquanto os roteiristas exploram todas aspossibilidades de encontros sexuais e decepções amorosas.Carrie (Parker) escreve uma coluna sobre sexo em um jornal evive misturando experiências reais com o trabalho. É uma espéciede guru das solteiras de 30 e poucos anos. Independente, massonhadora. Samantha (Cattrall) é a quarentona enxuta, liberadasexualmente, que não perde nenhuma chance para se divertir. Seuemprego de relações públicas de festas e hotéis chiques é umaferramenta para os encontros. Miranda (Nixon) é a advogada"pé-no-chão" da turma, que não tem tanta facilidade com oshomens ou paciência para se dedicar constantemente ao assunto.Charlotte (Davis) é a patricinha rica e recatada que mais tardeentra em um casamento furado. Juntas elas vivem intensamente o dia ea noite de Manhattan, em episódios que são entrelaçados pelasreflexões de Carrie para sua coluna.Criado originalmente por Candace Bushnell (ela era autora de umacoluna de jornal, mas garante que a história é apenas um poucoautobiográfica), Sexo e a Cidade transformou suas atrizesem estrelas, conquistou vários prêmios e garantiu status para oHBO. Ao longo dos anos, o programa foi ficando menos engraçado emais intenso - quase se transformando em uma série bem-humoradade auto-ajuda.Em um episódio recente exibido nos EUA, Carrie, novamentesolteira depois de uma série de vaivéns amorosos, diz que NovaYork é seu namorado. E o que acaba espantanto é que Nova Yorkpode não ser o namorado para mulheres de outros lugares do mundo, mas é um bom amigo para muitas delas - estejam no Brasil,Austrália ou Inglaterra. O maior mérito da série é conseguir virarum fenômeno global - e atingir tão profundamente o públicointernacional - mesmo tendo um caráter tão local.

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