Alisson Demetrio/Abrape
Alisson Demetrio/Abrape

Setor de eventos quer retomada e cobra equilíbrio nas restrições governamentais

Congresso Brasileiro dos Promotores de Eventos teve a participação do secretário especial da Cultura, Mário Frias, e representantes do setor

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2020 | 21h36

Diversas empresas do setor de eventos, reunidas no V Congresso Brasileiro dos Promotores de Eventos, realizado na terça, 17, e quarta-feira, 18, em São Paulo, cobraram equilíbrio nas medidas de restrições governamentais e apontaram para a retomada imediata das atividades após o impacto da pandemia. Reunidos no Auditório Ibirapuera, representantes do setor se mostraram favoráveis a novos eventos e demonstraram confiança em retomar os trabalhos de maneira segura, de acordo com a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape).

Questionado pelo Estadão se as empresas poderiam mesmo garantir a segurança de frequentadores e trabalhadores frente ao recente crescimento das infecções pelo coronavírus, o presidente da entidade, Doreni Caramori Júnior, disse que a Abrape defende que todos os setores econômicos sejam expostos aos mesmos protocolos.

"Se os protocolos de segurança têm condições de segurar a contaminação em um shopping, têm condição de segurar uma feira", afirma Caramori. "Ou quem faz feira é mais incompetente para controlar protocolos do que o gestor de um shopping center? Restaurantes têm condição de obedecer aos protocolos e receber seus clientes, e um show, no mesmo formato, com todos sentados, não pode ser feito? Eu entendo, de maneira clara, que para ser justo com o nosso setor, que já vem sofrendo há meses, deveríamos ser liberados a atender todos os protocolos que fossem possíveis em outros setores da economia, desde que a gente os realize com qualidade. E temos toda condição de atender com qualidade! Se houver regressão nos protocolos destes outros setores, o de eventos, como já fez antes, vai obedecer."

O presidente diz ainda que o setor está acostumado a cumprir protocolos, e que a quantidade de pessoas em eventos pode ser ajustada de acordo com cada situação. "Não falo aqui de grandes festivais, mas de atendermos a mesma quantidade de público que outras indústrias com protocolos semelhantes o fazem."

Na terça-feira, 17, o secretário nacional de Cultura Mário Frias disse que a pandemia tomou uma proporção que "ninguém imaginava", e que por isso era preciso olhar com atenção para o setor da economia criativa. "Estamos fazendo o possível para auxiliar quem trabalha com cultura e entretenimento por meio de ações como a Lei Aldir Blanc. Mas é preciso mais. É importante que as atividades retornem, com responsabilidade. Precisamos voltar com os eventos e dar respeito e dignidade ao setor", disse Frias.

Otimista com o futuro e com a retomada, e satisfeito com os debates do congresso, Doreni Caramori reforçou à reportagem: "nosso setor é altamente impactante no PIB e na geração de empregos. Envolvemos cinco milhões de empregos formais e informais em todo país que estão parados. Não queremos esmola, queremos trabalhar. Precisamos ter clareza, um planejamento dos próximos passos. Queremos o apoio para deixarmos de ser invisíveis. Evento envolve planejamento, venda. Está mensagem precisa ecoar pelo País".

Participaram ainda do congresso os empresários Luis Fernando Davantel, CEO da WTorre, Luiz Augusto Nóbrega, da Luan Promoções, Aline Delmanto, gestora estadual de Turismo do Sebrae-SP, Marcelo Beraldo, diretor de conteúdo da T4F, Noemia Matsumoto, da Opus Entretenimento, entre outros. 

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