Sete dias surreais

Mostra no Masp traz ao Brasil a série de colagens em que Max Ernst retratou uma semana de paixões e violências

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Só um avestruz e. claro, os cegos, como disse o surrealista alemão Max Ernst (1891-1976), não poderiam perceber a desgraça e a violência que flutuavam numa Europa entre Guerras. A frase do artista se referia ao ano de 1933, quando ele pintou o quadro Europa Após a Chuva e ainda criou a famosa série de colagens gráficas Uma Semana de Bondade, que, pela primeira vez, é apresentada no Brasil, em exposição a ser inaugurada amanhã para convidados e na sexta-feira para o público no Masp.

Como no relato bíblico da criação do mundo em sete dias, Ernst desenvolveu a série-novela Uma Semana de Bondade, começando seus capítulos no domingo e terminando no sábado. Para cada um dos dias prevalece um tema e um elemento (a lama, a água, o fogo, o sangue, o negro, a vista e o desconhecido), retratados em cenas nas quais figuras humanas se transformam em híbridos de homem e animal (leão, dragão, pássaro e galo), tornando-se protagonistas ou espectadores de orgias, assassinatos, desgraças, terror e paixões. Surrealista que era, Ernst conduz as narrativas de tensões - com a 2ª Guerra a estourar - com elementos imaginários que expandem os significados de cada imagem, em preto e branco.

Totalidade. Com a mostra Max Ernst - Uma Semana de Bondade, se faz uma oportunidade única de ver reunidas, afinal, as 184 obras que formam a série em sua totalidade, pertencente ao colecionador francês Daniel Fillipacchi. É uma exposição densa, que chega a São Paulo depois de ser exibida em museus europeus.

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