Sessão de terapia com jogos, sogras e genros em fúria

Na versão nacional de 'Vivendo com o Inimigo', famílias em crise fazem atividades para extravasar a raiva

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2013 | 02h13

Brincar de jogar dardos em um alvo com a foto da sogra pode ser uma maneira de extravasar a raiva. Porém, a brincadeira fica tensa quando acontece na frente da vítima. É nesse clima em que vivem os participantes da versão nacional do reality Vivendo com o Inimigo, que estreia na sexta, às 22h30, no A&E.

"Em algumas casas, a energia era carregadíssima", relembra Pedro Gorski, um dos diretores da atração, que ficou, em média, quatro dias na casa das famílias paulistas que aparecerão nos oito episódios da primeira temporada, produzida pela produtora mexicana Plataforma. O programa mostra casais à beira de um ataque de nervos por causa de parentes, em geral sogros e sogras, com quem dividem o teto. "Sabe aquele cunhado folgado? Também tem", explica Krishna Mahon, produtora executiva do canal.

Depois de a equipe registrar os conflitos de cada família, dois psicólogos entram em cena com jogos para tentar fazer as relações mais harmônicas e descobrir o que cada participante sente em relação ao outro. "As dinâmicas são para escancarar os problemas", reforça Fernanda Guilardi, parceira do também psicólogo Marcio Alleoni no reality. Entre as atividades está uma em que o genro bate em um saco de areia com uma imagem da sogra e diz em voz alta o que pensa sobre ela.

Apesar da fama de passional dos latinos, a equipe do programa afirma que os participantes do formato norte-americano são mais exagerados nas emoções que os brasileiros. "Lá, o barraco é explícito. Aqui, você ligava a câmera e eles paravam. Quando desligávamos tudo, eles iam atrás dos terapeutas", conta Guilherme Conti, outro diretor do reality.

As famílias selecionadas em um grupo de 40 foram estudadas durante oito meses antes de as gravações começaram. A pesquisa ficou a cargo de Marina Mecca, a mesma que descobria os casos de problemas entre pais e filhos nas temporadas da versão nacional de Supernanny, exibida pelo SBT. No Vivendo com Inimigo, porém, os pequenos não estarão em destaque. "A gente tentava expor pouco as crianças, mas elas aparecem brincando ao fundo. Elas já estavam expostas a todos aqueles problemas (de família) no dia a dia", justifica Gorski.

Nas ruas. Um dos embriões do programa foi uma gravação em que o A&E testou anônimos nas ruas de São Paulo. "Pedimos que as pessoas falassem mal da sogra e elas se abriram. Todo mundo odeia um pouco a sua família ou a do outro (com quem tem de viver junto)", opina Krishna. Para estar no reality, as famílias tiveram de adaptar a rotina. "Algumas pessoas se ausentaram do trabalho por três dias para ficar em casa. O tempo que passamos com eles é longe do ideal, mas pudemos desconstruir as relações", diz Pedro Gorski.

A convivência com famílias em conflito e psicólogos mexeu com a produção. "Quando voltávamos para casa depois das gravações e passávamos horas no trânsito, rolava uma terapia em grupo", revela Guilherme Conti. Gorski conta que repensou as relações em casa. "Falei para a minha mulher dar um tempo na DR (discussão do relacionamento)."

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