Sesc abre mostra de arte contemporânea africana

A Mostra Africana de Arte Contemporânea, evento organizado pelo Videobrasil que será inaugurado amanhã no Sesc Pompéia, chega desfazendo mitos e mostrando ao público paulistano quão vigorosa é a videoarte produzida nesse continente. Aqueles que acham que arte africana é sinônimo de expressão artística de uma cultura primitiva e ingênua, vão surpreender-se ao entrar na área de convivência do centro cultural. Em vez de máscaras e totens, o visitante vai deparar-se com gigantescas estruturas de metal, que mais lembram contêineres de navio, dentro das quais são exibidas obras de artistas de vários países.O curador sul-africano Clive Kellner preferiu selecionar um grupo restrito de sete artistas e contextualizar melhor suas produções. Se o angolano Fernando Alvim, que foi uma das atrações da 23.ª Bienal de São Paulo está representado pela instalação I Miss You, o sul-africano William Kentridge está presente com três filmes. Ele também desenvolveu a peça Screensaver especialmente para essa exposição. Não se trata de uma peça de teor sociopolítico, como a maioria de suas obras, mas de uma instalação lírica e irreverente, na qual colocou peixinhos nadando dentro de um velho automóvel.Um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, Kentridge lida de maneira absolutamente encantadora com a trágica história de seu país. Ele mescla a técnica mais tradicional com a mais avançada (criando histórias em quadrinhos a partir de poucos desenhos que vai modificando e captando quadro a quadro). Mas o encanto com a forma poderia se esvair rapidamente se o conteúdo de seu trabalho não tocasse fundo o espectador. Em Felix in Exile, por exemplo, ele traduz em imagens o drama de um exilado que assiste de longe ao drama de sua terra, tendo apenas a escrita por companhia.A terrível situação política da África e temas como culpa, violência e aids não são temas exclusivos de Kentridge. Todos, de maneira mais ou menos direta lidam com a identidade cultural e política de seus países, principalmente os da África do Sul, país que - nas palavras de Kellner - "tem apenas seis anos de idade".As videoinstalações expostas no Sesc Pompéia são apenas um dos pontos altos da mostra. Além de uma mostra de cinema, que começa dia 27, na quinta-feira, às 17 horas, haverá uma palestra com William Kentridge, Oladélé Bamgboyé, Zwelethu Mthethwa, Tracey Rose e Clive Kellner no MAM.Mostra Africana de Arte Contemporânea - De terça a sábado, das 10 às 21 horas; domingo e feriado, das 10 às 20 horas. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Até 17/9. Abertura, amanhã, às 20 horas, para convidados.

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