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Sérvulo Esmeraldo abre a mostra 'Simples como o Triângulo'

Exposição será inaugurada hoje à noite em São Paulo com cerca de 30 obras do artista

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

21 Junho 2012 | 03h10

"Na sua aparente simplicidade, o triângulo é, na realidade, o 'dono' das matemáticas. Dono é pouco. A mais simples das figuras geométricas, com seus três vértices, dinamiza um espaço plástico definido como nenhuma outra forma." Na entrada da Galeria Raquel Arnaud, esse trecho estampado de uma carta que o artista cearense Sérvulo Esmeraldo escreveu ao amigo Zaza Sampaio condensa a maneira direta - e sempre simples - com que o escultor, gravador e desenhista trata de sua obra, pautada pela geometria e pela experimentação. E a definição de Sérvulo sobre o triângulo conserva, ainda, uma espécie de pensamento fundamental que vemos desdobrado no conjunto de esculturas construtivas que ele apresenta em sua nova exposição em São Paulo.

Como a forma pura pode engendrar tantas peças diferentes? Na mostra Sérvulo Esmeraldo - Simples Como o Triângulo, que será inaugurada hoje à noite na Galeria Raquel Arnaud, há cerca de 30 peças escultóricas do artista, desde uma réplica que de sua primeira escultura feita em metal, em 1954, até suas mais recentes criações, como uma obra que ele projetou "há 15 dias", ele conta. A forma triangular torna-se um mote da mostra, mas na verdade o que está em jogo é a apresentação da natural persistência construtiva do artista, agora com 83 anos. "Quanto eu saí do Brasil (1957), eu já trabalhava com o triângulo, mas não tinha a pureza que tem hoje na minha obra", diz Sérvulo Esmeraldo. Esculturas pequenas ou de escala pública, arte cinética (tendo como destaque peças da série Excitables -Excitáveis -, dos anos 60, painéis com fios de lã ativados pela energia eletrostática), livros-objetos - tantos são os campos que ele explora, por décadas, em sua vasta carreira, a partir da simples geometria.

No ano passado, a Pinacoteca do Estado dedicou ampla retrospectiva ao escultor, gravador e desenhista, mostra que perpassou sua trajetória desde os anos 50. Nascido no Crato, Ceará, o artista viveu em São Paulo entre 1951 e 57; mudou-se para Paris, onde residiu até 1980; e depois retornou ao Brasil, escolhendo Fortaleza como morada. A recente retrospectiva na Pinacoteca foi um resgate do artista em São Paulo, cidade em que não expunha desde 2001. Agora, a mostra na Galeria Raquel Arnaud, também guarda uma série de resgates históricos na trajetória de Sérvulo, escultor que nunca deixou de lado o pensamento gráfico.

Como a reedição do livro-objeto Trilogia, de 1976, que o artista criou em parceria com o poeta Péricles Eugênio da Silva Ramos. Na época, a obra, uma das pioneiras do gênero no Brasil, foi editada e lançada em São Paulo na então galeria que a marchande Raquel Arnaud tinha em parceria com Mônica Filgueiras. A reedição atual, feita com a editora Cosac Naify, é restrita, de apenas 35 exemplares (com preço de R$ 2,5 mil cada).

Desde o fim da década de 1950, quando Sérvulo e Péricles trabalharam juntos no Correio Paulistano, eles já tinham esse projeto de fazer uma obra conjunta, mas demoraram anos para concretizá-la já que o escultor mudou-se em 1957 para a França graças a uma bolsa de estudos do governo francês . "Sempre que eu vinha ao Brasil, conversávamos, e eu disse um dia ao Péricles: Vamos fazer uma coisa simples, um livro-objeto a partir de três poemas", conta Sérvulo. Trilogia representa a terra, a água e o céu. "Discutíamos o céu de Lorena e o Rio Paraíba, o livro surgiu dessa tônica", conta o escultor - "estrelas, ensinai-nos a lição de iluminar até morrer", diz um dos versos do livro-objeto.

Outro resgate da obra de Sérvulo, agora também incluído no centro de documentação do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), foi a reconstrução de duas esculturas de chapas de aço criadas em 1997 e destruídas depois de uma exposição na Funarte do Rio. As obras estão no jardim da Galeria Raquel Arnaud.

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