Serra da Bodoquena, em edição de luxo

A Serra da Bodoquena acaba de ganhar uma homenagem em forma de livro. A edição de luxo Serra da Bodoquena ? História, Cultura, Natureza é resultado de dois anos de trabalho de Miguel von Behr, fotógrafo, arquiteto, ambientalista e pesquisador do Ibama desde 1982. O livro contém 143 páginas ilustradas com fotos feitas pelo autor e encontradas em arquivos, além de mapas e desenhos ilustrativos da região. Imagens e textos dão a dimensão da história, da cultura e da natureza da Serra da Bodoquena e dos municípios vizinhos, como a já famosa cidade de Bonito, na obra produzida com apoio do governo do Estado do Mato Grosso do Sul. ?Meu objetivo é documentar as áreas de conservação ambiental do Ibama?, diz Miguel von Behr. A escolha da Serra da Bodoquena foi acertada. Cenário de episódios importantes da Guerra do Paraguai, a serra também foi território do único povo indígena em terras brasileiras a usar cavalos para atividades de caça e conquista, os cadiuéus. ?Para não deixar nenhuma informação importante de fora da pesquisa, é preciso muita atenção?, afirma o autor. Reconhecida pela ONU como reserva da biosfera, a região recebeu do governo federal o status de Parque Nacional, com 76,4 mil hectares demarcados. É uma das últimas áreas extensas de Mata Atlântica e tem uma particularidade: é o encontro de três categorias da vegetação brasileira: o Pantanal, o Cerrado e o Chaco. A serra é conhecida por seus rios, cavernas com estalactites, e por sua fauna variada, com espécies de animais ameaçados de extinção, como a onça pintada, o gavião real e o tamanduá bandeira. Este é o terceiro livro da série Ecossistemas Brasileiros, com projeto editorial de Miguel von Behr, sobre áreas conservadas pelo Ibama. O primeiro título foi Guarakessaba ? Passado, Presente e Futuro, sobre Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná (von Behr preferiu usar a grafia mais próxima das línguas indígenas). Depois, o autor lançou Chapada dos Veadeiros ? Berço das Águas do Novo Milênio, sobre a chapada do Estado de Goiás. O que há de comum entre estes trabalhos é a abordagem integral da região analisada, sempre aliada à vontade de comunicar a beleza natural através da arte. Em Serra da Bodoquena ? História, Cultura e Natureza, von Behr faz um estudo amplo. É trabalho de historiador quando remonta às origens dos municípios criados em torno da serra ? Bonito, Bodoquena, Jardim, Guia Lopes da Laguna e Porto Murtinho ? e mesmo da atividade turística no Estado. É trabalho de ambientalista quando analisa fauna e flora locais, além de aspectos geológicos. É antropologia ao lidar com os índios cadiuéus, antigos habitantes da região. É também arte, quando von Behr retrata a Serra da Bodoquena em dezenas de fotografias coloridas que mostram a beleza e a cultura da serra. O livro está dividido em capítulos sobre história, cultura e aspectos naturais da Serra da Bodoquena. O autor procura, em seus livros, fazer um tratado sobre a região. Neste novo lançamento, ele escreveu alguns capítulos voltados à exaltação das belezas naturais e outros inteiramente informativos, com dados técnicos a respeito das formações rochosas e das espécies animais e vegetais que integram a serra. Para complementar, ele estuda grupos de moradores e povos indígenas locais, num claro esforço antropológico para entender a região. ?Minha abordagem do lugar é holística?, diz Miguel. ?Como sou arquiteto, tenho uma visão humana e artística do ambiente, e isso me ajuda muito?, completa. Em Campo Grande, segundo von Behr, o lançamento do livro foi um acontecimento que reuniu autoridades e cerca de 150 cidadãos. Entre estes, certamente estavam pessoas quase lendárias na região da serra, e que Miguel von Behr soube destacar em suas pesquisas. Um exemplo é Antonio Lopes Barbosa, o Antonio ?Chifreiro?, artesão de Guia Lopes de Laguna, especialista em confeccionar peças com chifres de boi. Sempre preocupado com a importância do homem comum, von Behr diz que o novo livro ?valoriza o povo da região?. Serra da Bodoquena ? História, Cultura, Natureza chega às livrarias das principais capitais do País apenas em janeiro.

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