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Série refaz trajetória de Monarco

Aos 77 anos, símbolo da Portela, sambista está acostumado a não ser reconhecido na rua

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

RIO - Toda noite, o Brasil canta Coração em Desalinho com Maria Rita na abertura da nova novela das 21 horas, Insensato Coração. Mas, à exceção dos iniciados no mundo do samba, poucos são os que reconhecem seu autor ao vê-lo passar na rua. Aos 77 anos, símbolo da Portela, sucesso nas vozes de Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Clara Nunes, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro e João Nogueira, Monarco está acostumado.

"Quando fiz essa música (com o parceiro Ratinho, que morreu há três meses), não sabia que ia chegar aonde chegou. É bom ver todo mundo cantando, emocionalmente e financeiramente. Nenhum disco me deu dinheiro", diz o compositor de Vai Vadiar (também com Ratinho), samba que, estima, até que lhe rendeu um "dinheirinho simpático, uns R$ 10 mil".

Hoje, às 20 horas, para sua alegria, o primeiro LP, Monarco, de 1976, será celebrado no Instituto Moreira Salles, no Rio, numa série que refaz o percurso de grandes momentos da discografia nacional - o primeiro, em outubro, relembrou os 30 anos de A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes. O pesquisador musical e escritor Sérgio Cabral vai apresentar sua história, e Monarco irá cantá-lo por inteiro, de O Quitandeiro a Enganadora, passando pelas bem conhecidas Lenço e Tudo Menos Amor.

São sambas de melodias contagiantes e letras tão simples quanto belas, que falam de amores desfeitos, rancor, paixão e até presta uma homenagem à Mangueira, "fiel companheira de Osvaldo Cruz (território da Portela)". Coração em Desalinho e Vai Vadiar não devem faltar.

São músicas que o acompanham nos muitos shows que faz no Rio e em São Paulo - à plateia paulistana, avisa: até o fim de fevereiro estará no Bar Brahma, às sextas-feiras. "É cansativo, mas a gente precisa. Estão me reconhecendo aos poucos. Não reclamo. Muitos são reconhecidos no fim da vida, como Cartola e Nelson Cavaquinho; uns morreram sem isso. Não estou tão no anonimato quanto em 1976."

À época, ele trabalhava manobrando carros no estacionamento do Jornal do Brasil. Um dia, foi identificado por um jornalista frequentador da Portela, que o levou à Continental (já era rei na escola, que o fez baluarte de sua Velha Guarda). Gravado com grandes músicos, o disco ainda ganhou capa do cartunista Lan. A partir dali, ainda que penasse para sustentar a família à base de música, deixaria definitivamente o apelido tomar o lugar do nome de batismo, Hildemar Diniz. "Cheguei à conclusão de que fazia samba melhor do que parava os carros."

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