Série que brinca com fim do mundo tem Danton Mello e Aline Moraes

'Como Aproveitar o Fim do Mundo' ironiza a previsão apocalíptica do calendário maia

Cristina Padiglione - O Estado de S.Paulo,

21 Outubro 2012 | 03h12

Sabe aquele chefe ou aquela ex-namorada a quem você não disse um décimo do que gostaria, em nome da civilidade e da boa convivência? Pois é chegada a hora de desabafar. Problemas financeiros o impedem de torrar o cartão de crédito em viagens, bons restaurantes e lojas? Seus problemas acabaram: fique à vontade com os gastos. Afinal, o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro de 2012 e o fim de tudo está bem próximo. Aproveite.

É nisso que Kátia, personagem de Alinne Moraes, acredita piamente em Como Aproveitar o Fim do Mundo: em oito episódios, a série estreia em 1º de novembro e leva os mesmos créditos dos criadores de Os Normais. O texto é de Alexandre Machado e Fernanda Young, com direção-geral de José Alvarenga Jr.. A ideia nasceu, claro, da previsão que se espalha há tempos sobre o tal calendário maia - previsão esta que já mereceu estudos e desmentidos mundiais.

Mas quem quer desmentidos quando a versão equivocada é bem mais saborosa? "Estávamos trabalhando em um outro projeto que temos juntos, de uma série de comédia policial, eu e o Alexandre, quando ele me perguntou: 'a Globo não tem nenhum programa que vá falar do fim do mundo?' Fui checar, soube que não, e então apresentamos a ideia", contou o diretor José Alvarenga ao Estado, em entrevista por telefone. Em uma semana, a dupla recebeu o aval de Manoel Martins, diretor da Central Globo de Produção, para tocar a série, que terminará exatamente no dia 21.

"Cada episódio tem três blocos e o último capítulo vai ao ar no dia 20. O segundo bloco está programado para acabar exatamente à meia-noite, quando um asteroide está vindo para a Terra, deixando um suspense para depois do break", conta Alvarenga. "A Globo trabalhou muito em cima disso, é um plano que envolve o departamento de programação, a criação, a CGCom (Central Globo de Comunicação), vários setores."

Para protagonizar a arte de jogar nos limites, Alinne Moraes fará par com Danton Mello. Ali está um casal improvável para o mundo real, mas óbvio o bastante para alimentar conflitos demandados pela dramaturgia. Ela é o estereótipo da maluquinha e ele, do engomadinho que será persuadido a cometer uma série de insanidades. Kátia é do RH, Ernani, da contabilidade. O cenário, escritório onde ambos trabalham, serve de encontro para o romance entre dois solteiros que se juntam em função do fim do mundo anunciado.

Ao contrário do que costuma acontecer nos enredos em torno do Apocalipse, em que os personagens fazem de tudo para escapar da sina anunciada, Ernani e Kátia vivem cada dia como se fosse o último. "Chega uma hora em que eles até torcem para que o mundo acabe, porque estão super endividados", em função de tantos desejos satisfeitos, sem atenção ao saldo bancário.

Mas, "se por um lado tem essa coisa visceral, que potencializa duas pessoas a viverem o máximo de tudo o que a vida pode oferecer, há uma certa tristeza, porque eles sabem que esse amor todo tem data para acabar", ressalta o diretor. "É corajoso por um lado e melancólico por outro."

Alvarenga, Fernanda e Machado já estiveram juntos em outro escritório, para a série Os Aspones, com Selton Mello, em Separação, com Débora Bloch e Vladmir Brichta, e em Macho Man, com Jorge Fernando e Marisa Orth. "A gente se reinventa a cada trabalho. Já fizemos comédia sexista (Macho Man), comédias mais diluídas, de comportamento (Os Normais), sobre amigos (Os Aspones), comédia raivosa (Separação) e nossa próxima viagem pode ser uma comédia policial", adianta.

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