Paulo Pinto/AE-5/11/2009
Paulo Pinto/AE-5/11/2009

Série no Rio questiona os limites do jazz

Hamilton de Holanda, Victor Biglione e UFRJazz Ensemble estão nessa

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

Para o bandolinista Hamilton de Holanda, não existe lugar melhor do que o Brasil, terra sincretista como poucas, para se experimentar os limites de um gênero musical. Atração de sábado da série Isso É Jazz?, que até domingo leva música ao teatro da Caixa Cultural, no centro do Rio, Hamilton não toca jazz, mas tem o maior interesse num de seus elementos fundamentais: as improvisações.

"Tudo o que a gente faz no Brasil nasce da mistura. O nosso público já sabe disso, vive isso", diz o instrumentista, animado com a constatação. "Eu nasci no Rio de Janeiro e fui criado em Brasília, o que me leva a fazer as minhas sem o menor pudor. Não considero minha música jazz, faço música brasileira. Mas um dos temperos é a improvisação, que talvez seja o grande legado do jazz."

Essa é a primeira edição da série. Ao fazer a seleção dos artistas, a curadora, a jornalista Monica Ramalho, buscou justamente aqueles que se apoiam, em suas apresentações, na experimentação no momento da execução. Não necessariamente gente que toque na esteira da tradição norte-americana. Mas os que se pautam pela liberdade de "sair da partitura e deixar a música acontecer".

A abertura, ontem, foi com o grupo instrumental Aquarela Carioca, de Lui Coimbra, Mário Sève, Marcos Suzano, Paulo Muylaert e Paulo Brandão, suas cordas, sopros e programações, vivos há 25 anos.

Hoje, toca a UFRJazz Ensemble, big band que vai do Dixieland, ou jazz tradicional, a ousadias como a recriação de nosso clássico maior, Aquarela do Brasil. Amanhã, é a vez do guitarrista argentino-brasileiro Victor Biglione, que mostrará o repertório de CDs recentes, em que recriou obras compostas por Tom Jobim e outras gravadas por Ella Fitzgerald.

Domingo é dia de música e de debate - de tentativa de responder à pergunta proposta pela curadoria. O jornalista Roberto Muggiati, um apaixonado por jazz que publicou diversos livros sobre o assunto, conversa com o poeta Bernardo Vilhena, compositor com incontáveis sucessos no universo pop, com parceiros como Lobão e Ritchie, e idealizador do Copa Fest, série voltada também à música instrumental.

Para fechar, show do sexteto Jazzafinado, que traz sua bagagem de apresentações em bares do Rio e invenções que mesclam ritmos brasileiros e groove jazz.

É o que sobra no Brasil e falta entre os jazzistas norte-americanos, na opinião de José Rua, maestro da UFRJazz Ensemble. "Hoje, a garotada nos EUA estuda muito a turma do passado, Coltrane, Charlie Parker, decora e tudo acaba ficando meio igual. Os que estão aparecendo mais são justamente os que procuram fazer coisas novas."

ISSO É JAZZ?

Caixa Cultural

Avenida Almirante Barroso, 25.

Até domingo, às 19 h.

Telefone (21)

2544-4080.

R$ 10.

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