Série de TV põe mulher na Presidência dos EUA

Geena Davis tomou posse ontem como a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, em um papel que a atriz desempenhará todas as semanas na nova série de televisão Commander in Chief. A premissa é singela e sua trama deseja manter o tom realista de séries como The West Wing, com o diretor e ativista político Rod Lurie como criador, além de roteirista e diretor do primeiro episódio. Davis interpreta o papel de Mackenzie Allen, que diante da súbita morte do presidente ocupa o cargo, em meio aos protestos de um ultraconservador e machista porta-voz da Câmara (Donald Sutherland). Commander in Chief chega à grade de programação da rede televisão ABC, que vive um de seus melhores momentos com sucessos como Desperate Housewives e Lost. Até hoje a presença feminina à frente da Casa Branca permanece restrita aos filmes de ficção. A Presidência nas mãos de uma mulher é até mesmo motivo de piada nas visitas guiadas pelo Capitólio, onde o monumento às primeiras votantes inclui um bloco de mármore, ainda à espera de ser talhado à forma da primeira presidente dos Estados Unidos. Mas na opinião de Lurie, isso é algo que deve ser mudado, como a fez enxergar sua filha Paige. "Nas eleições de 2000 ela me perguntou o porquê de não existirem mulheres candidatas. Desta vez quis lhe dar uma mulher presidente", explicou à imprensa. Commander in Chief é sua segunda tentativa de destacar a presença feminina na política americana. Em 2000 Lurie dirigiu The Contender, filme onde uma mulher aspirante ao posto de vice-presidente (Joan Allen) é envolvida em um escândalo sexual em plena campanha. O filme rendeu indicações ao Oscar para Allen e Jeff Bridges, mas não registrou grande bilheteria. A crítica vem sendo positiva para com a nova série. Se por um lado a classifica como "simplista", por outro rende elogios a Geena Davis no papel principal. "Geena é convincente como presidente", assegura o crítico Robert Lloyd em referência à atriz que ganhou o Oscar com O Turista Acidental (1988) e foi indicada ao prêmio por Thelma & Louise (1991). Antes mesmo de começar a ser transmitida, a série vem recebendo grande publicidade, graças ao debate gerado nos meios de comunicação. Trata-se de um debate fomentado, embora não financiado, pela rede ABC, que promove sua série em "festas caseiras" do Projeto Casa Branca, organização independente que promove a presença de mulheres em postos destacados de Governo. Segundo a última pesquisa da organização, 80% dos americanos são favoráveis à presença de uma mulher no Salão Oval da Casa Branca. "Embora a série da ABC seja ficcional, a mensagem da enquete é real, e os eleitores reconhecem a força e o valor da liderança feminina em cargos de destaque", afirma Marie C. Wilson, presidente da organização. Commander in Chief vai além, no momento em que insistentes rumores apontam a senadora Hillary Clinton, esposa do ex-presidente Bill Clinton, como aspirante democrata às eleições de 2008. A última pesquisa do instituto Gallup mostra Hillary Clinton como a aspirante à Presidência de maior destaque entre os democratas. Entre os republicanos, a atual secretária de Estado, Condoleezza Rice, ocupa o terceiro posto, logo abaixo do ex-prefeito de Nova York Rudolph W. Giuliani e do senador do Arizona John McCain. Lurie, democrata declarado, assegura que sua série evita qualquer tom partidarista, embora não oculte sua satisfação diante do fato de que Commander in Chief possa alavancar a eleição de uma mulher à Presidência. "Se Hillary conseguir, vou ficar muito feliz", resumiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.