Série conta a história das torres gêmeas

A tragédia não foi esquecida. Nem poderia. Reação ao poder uniformizador do pancapitalismo ou simples ato terrorista, a destruição das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, já foi analisada por filósofos, cronistas e políticos, mas ninguém chegou tão perto do significado histórico dessa destruição como a série Nova York - Um Documentário, que a GNT está exibindo. A partir de hoje, o canal da Globosat apresenta os três últimos e inéditos episódios, reunidos sob o título O Centro do Mundo. Neles, as torres gêmeas, concebidas como signo máximo do poder americano, são desconstruídas - no sentido derridaniano do termo - desde sua concepção, na década de 60 do século passado, até o fatídico 11 de setembro de 2001, quando dois aviões atingiram e derrubaram o maior monumento moderno à tecnologia e supremacia dos EUA. A série sobre Nova York, que conta sua história desde as origens como porto de comércio holandês, é um requintado exercício de revisão histórica. Começa e termina martelando na tríplice vocação da cidade: comércio, capitalismo e diversidade. Há, no primeiro dos três episódios de O Centro do Mundo, historiadores que defendem a tese do filósofo francês Jean Baudrillard, que viu no ataque às torres gêmeas uma vingança de todas as singularidades contra o poder neolaico, padronizador, do povo americano, que rejeita tudo o que não é espelho. Eric Bruns, o diretor da série, vai atrás de historiadores que dão razão a Dostoievski, mas lamentam que Nova York ainda tenha outros signos na mira dos fundamentalistas. A liberdade, o maior deles, é justamente representada por uma estátua gigantesca que saúda os forasteiros com uma tocha acesa. Os três documentários que integram o núcleo O Centro do Mundo ocupam-se, portanto, do signo destruído, o World Trade Center, para entender a razão de ter sido eleito o primeiro alvo. Historiadores como Craig Steven Wilder tentam explicar que a idéia das torres gêmeas nasce como demonstração da arrogância americana, justamente no período da guerra fria. Os sobreviventes envolvidos com o projeto dão seus depoimentos e fica-se sabendo que, originalmente, a planta original comportava apenas uma discreta torre e dois outros prédios de vocação horizontal. Contrariando a opinião de técnicos e ignorando os protestos da população, o governador Nelson Rockefeller e a prefeitura de Nova York autorizaram todas as alterações do projeto, que provocou enorme impacto ambiental na metrópole. O diretor dos três últimos programas da série, Eric Burns, não poupa ninguém. Mostra como os interesses econômicos falaram mais alto na hora da aprovação do megaprojeto, que desconsiderou normas de segurança elementares e até uma tragédia semelhante ocorrida com outro monumento da cidade, o Empire State Building, atingido por um pequeno avião desgovernado anos antes. Nostálgico, o equilibrista francês Phillipe Petit lembra que há 30 anos subiu ao topo do World Trade Center, instalou uma corda entre as duas torres e levou 45 minutos para fazer o trajeto (foi preso logo que colocou os pés o chão). No dia 11 de setembro, os dois aviões derrubaram o sonho americano em apenas dez segundos. Nova York - Um Documentário. Hoje, amanhã e segunda-feira, às 23h30. Reapresentação dias 19, 20 e 24. GNT (operadoras/canais: Net/Sky, 41)

Agencia Estado,

18 de fevereiro de 2004 | 11h26

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