Série "A Grande Família" volta a ser gravada

Exibida pela Rede Globo entre 1972 e 1975, a série A Grande Família conseguiu a proeza de criticar a ditadura militar sem provocar a censura. Ao retratar uma família de classe média formada por tipos contrastantes que resolviam democraticamente seus problemas, o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha, fazia um contraponto sutil e elegante ao regime. Enorme sucesso de audiência na época, A Grande Família é lembrado como um programa divertido, mas de forte cunho social.A Globo inicia esta semana as gravações do remake, previsto para estrear dia 13 de fevereiro, às 21h. A nova versão reúne elenco estelar: Marieta Severo (a dona de casa Nenê, a mãe); Marco Nanini (seu Lineu, o pai); Rogério Cardoso (aposentado seu Floriano, o avô); Lúcio Mauro Filho (Tuco, o eterno adolescente); Pedro Cardoso (Agostinho, o genro malandro e aproveitador) e Guta Stroesser (a filha briguenta).Sob a direção de Mauro Mendonça Filho, os atores vão encarar o desafio de transpôr para os dias atuais 17 textos encenados nos anos 70 e adaptados pelos redatores Cláudio Paiva, Bernardo Guilherme e Marcelo Gonçalves. ?Os textos foram modificados porque alguns problemas desapareceram. A ditadura, por exemplo?, diz Marieta Severo.No original, cada episódio girava em torno de um dos membros da família ? que vive apertada em um pequeno apartamento e sofre para pagar as contas. ?Na nossa adaptação, cada capítulo vai girar em torno um tema?, conta Marieta. ?O tom de crítica será mantido. Assuntos como a corrupção, que não era tão recorrente nos anos 70, serão reforçados, já que são dramas que se agravaram.?Apesar das mudanças, os atores estudaram os textos originais para se prepararem. Mas não puderam assistir aos programas antigos, destruídos por um incêndio na década de 70. ?Só sobraram dois ou três capítulos?, lamenta Jorge Dória, que interpretava seu Lineu. ?Prefiro não assistir aos episódios que restaram?, diz Marieta Severo. ?Assim terei mais liberdade.Lembrado com amor pelo público e com ciúme pelos atores da primeira versão. Pelo menos no caso da intérprete de dona Nenê, Eloísa Mafalda. ?Sinto que haverá uma intrusa tomando conta da minha família!?, diverte-se a veterana. Eloísa solta uma gargalhada ao lembrar que só percebeu o cunho de crítica social da série ?lá pelo oitavo capítulo?. ?Todo mundo fazia comentários, mas eu ficava intrigada por não perceber nada. O Vianninha tinha uma maneira tão inteligente de criticar que só iniciados entendiam.?A atriz conta que os cortes da censura eram curiosos. ?Houve um capítulo em que eu deveria achar um bebê. Os militares proibiram a cena porque ´o Brasil é um País em que crianças são largadas nas ruas´. Pode?? Apesar do ciúme, Eloísa aguarda com ansiedade a reestréia do programa. Assim como todos os fãs saudosistas.

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2001 | 23h02

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