Sérgio Roveri estréia duas peças em SP

Duas peças do jornalista e dramaturgo Sérgio Roveri entram em cartaz, hoje e na próxima terça-feira - respectivamente, Pelos Cotovelos, que marca a estréia na direção do ator Marcelo Mansfield, e O Eclipse, dirigido por Fábio Ock. A primeira, que estréia no Teatro Fábrica, traz três situações insólitas do cotidiano de quatro pessoas, enquanto O Eclipse, a partir de terça no Espaço dos Satyros Dois, diz respeito a uma revolução dos bichos de um zoológico. Os dois espetáculos estarão no cartaz simultaneamente por pura coincidência. Marcelo Mansfield, que fundou com Grace Gianoukas o show de humor Terça Insana, assistiu em 2003 à peça de Roveri Vozes Urbanas. Trata-se de um conjunto de quatro monólogos sobre a solidão, apresentados de maneira cômica. De tanto que gostou, pediu ao dramaturgo para dirigir, ele próprio, os textos. "Ele escolheu dois deles, Porta-Malas e Boa-Noite, Cinderela, e escrevi um terceiro, inédito, o De Bandeja", conta Roveri. Já O Eclipse estava previsto para estrear apenas em julho, mas a equipe e o elenco vão aproveitar uma brecha da companhia teatral Os Satyros, que no momento viaja a trabalho. O conjunto dos três esquetes de Pelos Cotovelos foi apelidado assim por mostrar personagens que falam, falam, falam e não param mais. "A idéia é essa, não ter muito silêncio mesmo", diz Roveri. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. O primeiro dos três esquetes, Porta-Malas, apresenta os pensamentos de um rapaz que se encontra dentro de um porta-malas durante um seqüestro relâmpago. "Pelo tipo de sacolejo e o silêncio permeado com latidos de cachorros, por exemplo, ele vai imaginando que estão entrando numa rua de terra, afastada do centro da cidade", detalha o dramaturgo. A segunda, Boa-Noite, Cinderela, é sobre uma mulher que recebe trotes telefônicos, durante quatro noites seguidas, de uma mesma pessoa, que diz conhecer alguns de seus hábitos estranhos divulgados por seu ex-marido em uma roda de amigos. E a última, De Bandeja, é o momento em que os dois atores vão interagir entre si, mas sob diferentes personagens das esquetes anteriores: um rapaz pede licença para dividir a mesma mesa de uma praça de alimentação de um shopping, durante um almoço. "E não pára mais de falar, sem se preocupar se a moça está ou não interessada no que ele tem a dizer." Cada esquete tem aproximadamente 20 minutos, totalizando uma hora de espetáculo. "Os personagens não têm nome. São propositalmente anônimos para sinalizar que aquela situação poderia ser vivida por qualquer um", conta Roveri. E, enquanto isso, sempre às terças e quartas-feiras, a começar por terça-feira, um Eclipse vai baixar no Teatro dos Satyros Dois, na Praça Roosevelt. E esse Eclipse promete dar o que falar. "Estamos trabalhando com a idéia da surpresa nesse espetáculo, que é uma comédia lavada", explica. Tudo começou quando, em 2004, o autor premiadíssimo pelo espetáculo Agreste, Newton Moreno, convidou Roveri para escrever uma peça teatral especial para integrar uma mostra de leituras dramáticas da Parada Gay daquele ano. "Queria fugir daquelas historinhas clichês como ´os pais que descobrem que o filho é homossexual´ ou ainda ´o namorado que se apaixona pelo melhor amigo da namorada´." Quando já tinha quase desistido de participar, uma idéia iluminou-lhe a mente. "Fiquei até com medo da reação que poderia provocar na platéia", confessa. E, felizmente, o resultado foi para lá de satisfatório. "O pessoal se divertiu muito." Após dois anos, O Eclipse volta a acontecer, com direito a trilha sonora produzida com sons de elefante e brigas de macacos, e figurinos adornados com peles de oncinhas e zebras, uma vez que, em cena, nenhum animal ganhará vida. "A peça brinca com todas as convenções do teatro. Por exemplo, num determinado momento, aparece uma vinheta anunciando que ali vai existir uma ação dramática", diverte-se Roveri. O diretor, Fábio Ock, fez questão de exagerar bastante sobre o texto que já é por si só realista-fantástico. "Chegamos à conclusão de que se a peça é uma comédia absurda; então, tínhamos de ´despirocar´ mesmo na encenação." Os atores não saem de cena em nenhum momento, trocando os figurinos no palco mesmo - e olha que não são poucos os personagens que cada um representa: cinco atores dão vida a 11 cidadãos inconformados com o ocorrido dentro do zoológico. "A idéia é transparecer todo o processo de montagem, mascarar qualquer convencionalismo", diz Roveri, que reitera terem comprado a idéia da pura e simples diversão ao decidirem apresentar o seu Eclipse. Sérgio Roveri, que já escreveu dez peças teatrais para adultos e uma infantil, ainda guarda cartas na manga. Em setembro, estréia o texto inédito Abre as Asas sobre Nós, no Satyros, uma adaptação do conto Bárbara, de Drauzio Varella. E espera propostas para a peça A Vida Que Pedi, Adeus, uma comédia de humor negro sobre um casal desempregado que descobre um negócio promissor - administrar a esquina de uma grande cidade, com seus meninos de rua, malabaristas e vendedores de balas. O Eclipse. 70 min. (80 lug.). Praça Roosevelt, 124, Consolação, 3258-6345. 3.ª e 4.ª, 22h30. R$ 20. Até 14/6. Estréia terça Pelos Cotovelos. 70 min. (80 lug.). Rua da Consolação, 1.623, Consolação, 3255-5922, metrô Consolação. 6.ª e sáb., 0 h. R$ 20. Até 29/7

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.