Sérgio Brito faz monólogo de seus 80 anos

Há pouca coisa em teatro que Sérgio Brito não tenha feito em seus 80 anos de vida, idade à qual chega em junho, e 58 de carreira, completados em janeiro. Ele conta suas histórias de palco e bastidores a partir de amanhã, no monólogo Sérgio 80, que estréia no Teatro Cândido Mendes. É a primeira vez que o ator e diretor fica só com o público e também se expõe tanto, em passagens de sua vida profissional e afetiva. "Em 1996, com um grupo de músicos, eu fiz Meninos, Eu Vivi, e a platéia reclamou que não tinha nada pessoal no espetáculo, eu só comentava fatos públicos", explica Sérgio. "Agora, decidi atender e abri minhas memórias." Que ninguém espere fofocas ou revelações com nome e endereço dos personagens. "É deselegante, expõe outras pessoas. Mas vou falar de minhas experiências, inclusive das mulheres que tive. Elas foram aventuras heterossexuais numa vida homossexual", revela ele, que encomendou o texto a Domingos Oliveira, amigo de quatro décadas. "Vou discorrer toda a minha trajetória e reservo os 20 minutos finais para conversar com o público. Fiz uma lista com as perguntas para as quais tenho as respostas interessantes, mas falarei do que me pedirem." No ano passado, quando montou o clássico Longa Jornada de Um Dia Noite Adentro, de Eugene O´Neil, com Cleide Yáconis, Brito realizou um sonho de mais de 50 anos. Agora, ele celebra o teatro, contando como o abraçou, dias após se formar em Medicina. "Virei obstetra levado pela família, por minha timidez e minha indecisão, mas só me senti bem quando me decidi pelo teatro", conta ele. "É uma profissão com vantagens e desvantagens, mas não há momento melhor que ter a platéia com você, te ouvindo em silêncio e ligada no que você quer lhe dar. É um momento de êxtase, um prazer só comparável ao sexo." Brito vai falar dos atores que dirigiu e com quem dividiu o palco, dos diretores que teve (do stanislawskiano Eugênio Kusnet ao moderninho Gerald Thomas, praticamente lançado por ele) e profissionais que formou em 30 anos de cursos. "São mais de 4 mil pessoas, algumas das quais eu nem me lembrava, como a cantora Zélia Duncan. Ela me contou que tomou aulas comigo para desinibir-se no palco", lembra. "O fundamental é ter vocação, talento se burila. Minha primeira aula é uma tentativa de fazer o aluno desistir, mostrando as dificuldades e os empecilhos do teatro. Mas quem fica não se arrepende, pois o ator que tem sua carreira é a pessoa mais feliz do mundo."

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