Será que Adèle é picante demais para o paladar de Spielberg?

Oito Palmas de Ouro no quadro de cotações da revista Screen, que registra as opiniões de dez críticos de todo o mundo. Onze Palmas, num total de 15 opiniões, em Le Film Français. Não será surpresa nenhuma se A Vida de Adèle, de Abdellatif Kechiche, ganhar - e, ao mesmo tempo, será surpresa total, porque as cenas de lesbianismo, no limite do explícito, poderão ser perturbadoras demais para um cineasta 'familiar' como Steven Spielberg, que preside o júri.

CANNES, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h07

Adèle Exarchopoulos, que faz Adèle, não pensa duas vezes. O que ela preferiria - o prêmio de interpretação (para ela) ou a Palma de Ouro (para Kechiche)? "O prêmio de interpretação." Adèle trabalhou duro para conseguir o papel. Teve de fazer vários testes. "Abdel me chamava para um café ou um almoço. Às vezes conversávamos, às vezes ele só me olhava. E eu não sabia o que pensar."

As cenas de sexo nunca a assustaram. "Era uma coreografia. No começo, Léa (Seydoux) e eu ríamos de nervosas, mas depois tudo rolou com naturalidade." Mesmo assim, Adèle ficou muito nervosa na noite da apresentação oficial, quando seus pais - e o pai, principalmente - assistiram a A Vida de Adèle pela primeira vez. "Abdel me disse que relaxasse, que olhasse para a tela como se fosse outra pessoa. Mas como, se era eu, meu corpo na tela?"

Kechiche constrói as cenas lentamente e o que se vê na tela é o reflexo da própria filmagem, que durou cinco meses. Agora, com certo distanciamento, Adèle diz que tirar a roupa pode ter sido difícil, mas desnudar as emoções - expressar a dor e o sofrimento de uma separação - foi muito mais complicado. Ela admite que sonha com o prêmio de atriz, como sonhava com o papel. "Abdel é duro com a gente, nos leva ao limite, mas no final o amamos porque o que o impulsiona é entender a natureza humana e, no processo, ele faz com que a gente se descubra." Para terminar, o que o pai de Adèle achou? "Ele não é de muita conversa, mas me abraçou, um abraço protetor, e eu soube que estava orgulhoso de mim. Aquele abraço valeu mais que todas as palavras que pudesse dizer." / L.C.M.

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