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Ser ou não ser digital? Shakespeare embarca no mundo dos tablets

Peças como 'Romeu e Julieta' e 'Macbeth' ganham nova vida em aplicativos lançados pela Cambridge University Press

NATASHA BAKER, Reuters

05 de novembro de 2012 | 12h11

As peças de William Shakespeare estão recebendo uma remodelagem ao estilo do século 21, na forma de novos aplicativos para tablets e smartphones, quase 500 anos depois que o Bardo escreveu no pergaminho.

Peças como Romeu e Julieta e Macbeth ganham nova vida em aplicativos de iPad lançados pela Cambridge University Press, que une os textos com performances de áudio, comentários e outros conteúdos interativos, transformando as obras clássicas para a era digital.

Os aplicativos são parte de uma nova série chamada Explore Shakespeare, que foi introduzida pela editora britânica para expandir o alcance do dramaturgo aos leitores casuais.

"Muitas pessoas têm uma cópia de Shakespeare em sua estante de livros que nunca chegou a ler, porque têm essa idéia de que Shakespeare é difícil ou tem que ser estudado para ser apreciado", disse John Pettigrew, produtor executivo da série.

Pettigrew acredita que as peças são feitas para serem apreciadas e são acessíveis desde que os leitores tenham o contexto para superar a linguagem desatualizada ou poética.

Embora o foco principal do aplicativo seja o próprio texto, os leitores podem consultar glossários, notas, fotos e sinopses em qualquer ponto do roteiro.

"Tudo ali é projetado para mantê-lo na peça e para colocá-lo na mente do ator, diretor ou escritor", explicou ele.

Para entender a linguagem menos comum, os leitores podem tocar em palavras e frases para se aprofundar em seu significado.

Os aplicativos também incluem performances completas de áudio feitas por estrelas como Kate Beckinsale e Martin Sheen. Outros recursos ajudam os leitores a visualizar as relações entre atores em cena, entender como Shakespeare entrelaça temas durante toda a peça, e analisar o texto de forma mais completa.

"Você pode se aprofundar na língua ou temas ou na interpretação, mas a nossa primeira tarefa é mostrar que é apenas uma boa história", disse Pettigrew.

Embora o aplicativo tenha sido projetado com o consumidor em mente, Pettigrew acredita que poderá também desempenhar um papel na educação, com os alunos abraçando o aplicativo ao invés do texto impresso.

"Para um estudante de 13 anos, a linguagem de Shakespeare pode ser uma barreira e ter algo ali na página é realmente útil", disse ele.

De acordo com Pettigrew, a editora escolheu desenvolvê-lo para o iPad porque é a plataforma tablet dominante nas escolas, mas ele disse que está considerando aplicativos Android e Windows 8 no futuro.

Outros quatro aplicativos, incluindo Noite de Reis, Sonho de Uma Noite de Verão, Hamlet e Otelo devem ser lançados nos próximos meses. Eles estão disponíveis mundialmente por 13,99 dólares cada.

Pettigrew explicou que o aplicativo teve a exatidão checada por especialistas e inclui material auxiliar, com intuito de aumentar o texto original. "Para usar uma frase de Shakespeare, ‘a peça é a coisa'."

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