''Ser DJ é só parte da diversão''

Tocadisco, atração de hoje no festival de música eletrônica, não se preocupa em aparecer em uma festa mais, digamos, circense

Claudia Assef, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Sai o Skol Beats, entre o Skol Sensation. A mesma marca que ajudou a difundir no Brasil o conceito de festival de música eletrônica, agora mira outro público, mais interessado na balada em si. Como explica o gerente da plataforma jovem da marca, trata-se de um "espetáculo interativo, que reúne performances, acrobacias, efeitos especiais e música eletrônica".

A exemplo do que aconteceu ano passado, na primeira edição do Skol Sensation, o Anhembi deverá receber hoje milhares de pessoas vestidas de branco para assistir às mais de seis horas de atrações, que incluem de água-vivas cenográficas a DJs internacionais que já estiveram diversas vezes no País, como o alemão Tocadisco e o americano Felix Da Housecat. Se não prima pelo ineditismo, o evento investe forte em cenografia, efeitos especiais, dança, gente fazendo rapel e projeções visuais.

O alemão Roman Böer, conhecido como Tocadisco, sempre segue um ritual quando vem ao Brasil com sua mulher, uma advogada brasileira que foi morar com ele na cidade de Colônia, na Alemanha, e hoje administra sua carreira. "Quando venho, sempre preciso comer em uma churrascaria rodízio", diz Tocadisco, cujo pseudônimo também é uma reverência ao país da mulher.

Como é para você tocar em uma festa na qual a música não é a principal atração da noite?

O conceito da festa é parte música, parte show. Não é como tocar em um clube. As pessoas que vão também fazem parte desse show. Tem esse lance de usar roupa branca, o que faz com que todo mundo tenha pelo menos uma coisa em comum. Acho que quando se tem algo em comum com um grupo enorme de pessoas assim, já se cria uma energia bem interessante. E nos eventos Sensation tem também fogo, água, é uma coisa bem moderna. Já toquei em vários locais pelo mundo, então já estou acostumado com o fato de o DJ ser parte do entretenimento.

Você tem uma relação especial com o Brasil, não?

É que minha mulher, que é quem faz minha agenda de apresentações, é brasileira, então gostamos muito de vir para cá. Já toquei mais de 20 vezes no Brasil. Gosto muito daqui, me sinto em casa. Quando chego ao hotel Unique, em São Paulo, os caras já me chamam pelo nome. A gente quer vir morar no Brasil, não sei quando ainda, mas vai acontecer um dia.

Seu nome ficou mais conhecido ainda no País depois que você postou no seu Twitter que o Jesus Luz é uma fraude. O que ele fez a você?

Fui escalado para tocar em um festival no Sul do País, e meu horário era às 3 horas. Uns minutos antes da hora de eu entrar, me disseram que a programação estava toda atrasada, que houve um problema. Atrasos ocorrem, mas quando percebi o porquê de terem me tirado do meu horário, fiquei louco. Olhei para o palco e vi o Jesus Luz tocando no meu lugar. E o pior: percebi que ele não estava tocando de verdade, que estava usando um CD mixado. Se ele não sabe tocar e o contratam, eu não tenho nada a ver com isso. Mas, mudarem o meu horário para botar o cara, isso achei o fim. Soube depois que o empresário dele fez pressão para que ele tocasse no meu horário, que era mais "nobre". Achei tudo isso uma tremenda falta de respeito e resolvi não deixar barato. Hoje em dia, com o Twitter e as redes sociais, uma coisa dessas se espalha muito rapidamente. Esse Jesus não tem a menor ideia do que é ser DJ. Ficou lá fingindo ser superstar e não estava nem tocando. Foi a cena mais ridícula que já presenciei na vida. Não sei se ele aprendeu a tocar, mas aquilo foi simplesmente inaceitável.

Para você, muda alguma coisa tocar diante de 40 mil pessoas ou num clube pequeno?

Quando se é um bom DJ, não tem diferença. Quanto mais você toca, mais experiência ganha e assim não se desespera diante de uma multidão. Porque aí você sabe o que fazer, como as pessoas reagem. Às vezes, o lugar não comporta um hit, por exemplo. Em outros lugares, o hit é necessário. Eu gosto de me manter com os pés nos dois segmentos, ser um pouco underground e um pouco mais comercial.

De onde veio a inspiração para a música Morumbi?

Era o bairro da minha mulher. Sempre dou nomes pras músicas de acordo com momentos importantes na minha vida. E o Morumbi teve o seu lugar na minha história.

Skol Sensation. Anhembi. Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, 2226-0400. Hoje, 23 h. R$ 170/R$ 1.100

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