Ser bem-feito não é suficiente; onde falha Bayona?

Crítica: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h35

JJJJ ÓTIMO

JJ REGULAR

É um filme bem feito - e as cenas do tsunami impressionam, projetando o espectador na vertigem provocada pela grande onda. Mas a questão levantada pelo diretor espanhol Juan Antonio Bayona diz respeito a outra coisa. Qual é a sua expectativa em relação ao cinema?

O Impossível abre uma janela para o mundo. Logo no começo, a família está partindo de férias para o paraíso. Tudo parece perfeito - Naomi Watts, Ewan McGregor e seus filhos parecem estar no Éden, mas isso dura pouco. Uns dez ou 15 minutos e aí, deitada na cadeira junto à piscina, Naomi percebe que algo vai se passar. Ela ainda não sabe o que é - o espectador, sim. Naomi não tem nem tempo de reagir.

Bayona era diretor de filmes de horror. De certa forma, continua sendo. A vida no pós-tsunami é uma estação no inferno. De cara, a solidariedade humana é suspensa, e o turista nega seu celular para McGregor. Aos poucos, a solidariedade se reconstrói, como a própria família. Ela passa pela atenção dos nativos, pela preocupação de Naomi e do filho pelo menino sozinho. O problema é que Bayona usa a experiência humana para controlar a emoção do público. Você reage como cachorrinho de Pavlov. O filme é bom, mas horrível.

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