'Senhorita Júlia' estreia hoje em São Paulo

Quando escreveu Senhorita Júlia, a intenção de August Strindberg era fincar, de vez, seus pés no naturalismo. Era época em que o movimento ganhava força com os livros de Émile Zola, na França. Também chegava com ímpeto aos palcos pelas mãos de André Antoine, criador do Teatro Livre de Paris. A intenção era fazer da arte um meio de representar a vida com a maior exatidão possível. Reproduzi-la em todos os seus detalhes. Sem escamotear seus aspectos mais desagradáveis.

AE, Agência Estado

08 de março de 2013 | 10h21

O dramaturgo sueco tinha todas essas ideias no horizonte. Mas o resultado alcançado, argumenta o diretor Eduardo Tolentino, está longe de seguir à risca todos os preceitos do gênero. "Ele até começa a peça como se fosse um texto completamente naturalista. Desloca a ação teatral da sala burguesa para a cozinha. Tenta trazer detalhes desse universo, que não é mais unicamente o da burguesia." O intrigante é que Strindberg não consegue manter-se nessa toada por toda a obra. Convoca à trama elementos que escapam do seu ímpeto de mimetizar a realidade.

Na montagem que o grupo Tapa estreia hoje, a direção de Tolentino mostra o texto à luz dessas constatações. Usa a encenação para aproximar Senhorita Júlia (1888) do aspecto onírico das últimas criações de Strindberg - caso de Rumo a Damasco (1898) e O Sonho (1902).

Ainda que situe o embate entre os personagens Júlia e Jean em um lugar que lembra uma cozinha - conforme as rubricas do texto -, a atual versão não tenta reconstruir à perfeição esse ambiente. Também mantém a trama em um universo rural, como no original, mas sem um tempo definido, fora das noções de passado e contemporaneidade. "Como se estivessem em um espaço abstrato, em um tempo abstrato", observa o encenador.

SENHORITA JÚLIA - Viga Espaço Cênico. Rua Capote Valente, 1.323, 3801-1843. 3ª a 5ª e sáb., 21 h; 6ª, 21h30; dom., 19 h. R$ 40. Até 31/3.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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