Sempre admirei a voz divina de Pavarotti, diz Plácido Domingo

Tenor italiano morreu nesta quinta, na própria casa, em Modena, em decorrência de um câncer de pâncreas

Reuters e Efe,

06 de setembro de 2007 | 07h59

O tenor espanhol e amigo de Luciano Pavarotti, Plácido Domingo, afirmou nesta quinta-feira, 6, que admirava a voz e a técnica do tenor italiano, que morreu nesta madrugada. Luciano Pavarotti sofria de câncer no pâncreas. Ele morreu em sua casa, em Modena, na Itália, aos 71 anos.  Morre Luciano Pavarotti, um dos mais importantes tenores da históriaPavarotti, cantor de voz belíssima, com dicção impecávelPavarotti esteve sete vezes no BrasilOs grandes papéis do tenor Luciano PavarottiHistórias pouco conhecidas do fenômeno PavarottiPavarotti - Nessun Dorma  Os Três Tenores - Nessun Dorma James Brown & Pavarotti Luciano Pavarotti - Ave Maria - Schubert Queen + Luciano Pavarotti - Too Much Love Will Kill You  "Eu sempre admirei sua voz divina, com seu inconfundível timbre e total alcance de voz. Eu amava seu adorável senso de humor", disse Plácido Domingo logo que soube da morte do amigo, com quem se apresentou por diversos anos ao lado também do espanhol José Carreras com os três tenores. "Algumas vezes em nossos concertos com José Carreras, nós esquecíamos que estávamos fazendo um show diante de um público que havia pago, porque nós três estávamos nos divertindo muito." Carreras afirmou que a morte de Pavarotti representa uma "grande perda, não apenas uma das melhores vozes da história, mas um amigo próximo". "Nós sempre tivemos uma boa relação. Fico contente de o ter conhecido. Ele foi sem dúvida um dos tenores mais importantes de todos os tempos. Era um homem incrível, uma pessoa carismática. E um bom jogador de pôquer."  Para o diretor italiano Franco Zeffirelli, também amigo de Pavarroti, "Houve tenores e, então, houve Pavarotti."  ÓperaJá a soprano espanhola Montserrat Caballe afirma que Pavarotti "era um companheiro de alma, uma pessoa fantástica. Eu cantei muitas e muitas vezes com ele e gravei muito com ele. Eu o amava muito e o admirava ainda mais. Ele era um ser humano maravilhoso"."Eu sinto sua perda em minha alma. Eu falei com ele muito recentemente e parece incrível que ele tenha nos deixado." Da elite dos teatros do mundo aos simples aficionados, o mundo da ópera chora a morte do tenor.A Ópera Real do Covent Garden de Londres, onde Pavarotti saltou para a fama com sua primeira apresentação solo, em 1963, disse que o mundo perdeu "um dos melhores cantores do nosso tempo"."Ele tinha a capacidade única de tocar as pessoas com a qualidade emotiva e brilhante da sua voz. Era um homem com o toque comum e com o dom mais extraordinário." FãsItalianos comuns, que viam em Pavarotti um ícone, o tratam como um herói nacional. "Estou realmente triste. Ele foi um homem que fez muito para promover a ópera na Itália. E foi uma pessoa que fez muito para promover a Itália no mundo", disse o romano Romolo Franchi.A perda foi ainda mais sentida em Modena, a cidade onde Pavarotti viveu e morreu. Ali, ele era lembrado não só como um grande tenor, mas também como o jovem amante do futebol que foi no passado. "Estivemos juntos desde a infância. Ele jogava de goleiro", recordou Giorgio Maletti, 72 anos.Venusta Nascetti, 71 anos, que costumava servir café a Pavarotti num bar local quando ambos eram adolescentes, lembrou-se dele como alguém "cheio de alegria, um espírito feliz"."Ele sempre nos amou como o amamos", disse a frágil idosa, com a emoção escondida atrás de óculos escuros, a jornalistas diante da casa de Pavarotti, aonde foi para prestar sua última homenagem. As versões eletrônicas dos meios de comunicação italianos abriram fóruns para que os cidadãos possam expressar sua dor, e em todo o mundo são vistas reações. Jornais "O coral dos anjos quis levar sua voz mais bonita", dizia uma das mensagens do fórum criado pelo jornal La Stampa. Todas as mensagens mostram admiração pelo tenor e agradecem por sua arte, que fez jovens e adultos "amarem a música lírica", e por sua capacidade para "conviver com diversos gêneros musicais, dando a cada um sua importância", de acordo com um dos comentários no site do La Repubblica. "O seu 'Vinceró' (frase final de Nessun Dorma da ópera Turandot) permanecerá para sempre em nós", acrescenta o leitor. Pavarotti era um personagem do qual os italianos se sentiam orgulhosos e uma jovem agradece o tenor "por ter existido". "Você nos deixou orgulhosos e felizes de sermos italianos. Agora alegra os coros celestiais", afirma. "Maestro Luciano, quando estiver no paraíso não se esqueça de continuar cantando. Com sua voz, potente, mas muito doce, com certeza ainda poderemos te escutar. Sentiremos muito a sua falta", dizia outra mensagem. Uma das fãs de Pavarotti escreveu da Romênia que nunca importou que não falassem a mesma língua, mas que "agora de onde está", o tenor "poderá entender as palavras de todos os povos". Para outro dos internautas, em um mundo no qual o homem freqüentemente demonstra o pior de si mesmo, a música é um milagre imenso, e Pavarotti "fez a sua parte com uma voz inconfundível".

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