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Seminário revê o legado revolucionário de Stanislavski

Nos 150 anos do diretor russo, estudiosos e artistas debatem suas reverberações no Brasil e sua atualidade

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2013 | 19h58

Foi uma das grandes revoluções do século 20. Primeiro, as ideias de Konstantin Stanislavski ganharam corpo nas encenações do Teatro de Arte de Moscou. Depois, ele organizou em livros suas concepções acerca da interpretação. O que o artista russo propunha era diferente de tudo o que existia. Não significava uma continuação do que se expunha nos antigos manuais. Mas uma ruptura da maneira tradicional de ensinar.

O seminário 150 Anos de Stanislavski, que ocorre de terça até quinta na SP Escola de Teatro, tem a intenção de rever esse legado. O pensamento daquele que concebeu uma técnica, não um estilo. Um meio de se alcançar algo e não exatamente um fim em si mesmo. “Essa efeméride dos 150 anos está sendo comemorada em vários lugares. Achei que não deveria passar em branco por aqui”, diz o ator Ney Piacentini, que fará a mediação das mesas do evento e também vai ministrar uma oficina para atores.

Durante o seminário, os seis convidados devem fazer uma avaliação do pensamento de Stanislavski. Em sua exposição, a francesa Marie-Christine Autant-Mathieu, estudiosa do tema, irá fazer um retrospecto histórico e também trazer algumas novidades. “Serão dados reveladores para nós, com coisas que não constam nos livros mais conhecidos”, observa Piacentini. O diretor Sergio de Carvalho, da Cia. do Latão, divide a mesa com a pesquisadora estrangeira. Deve trazer um relato menos teórico, explorando a experiência de seu grupo com o método russo.

Nos outros dois encontros está prevista uma revisão crítica da apropriação brasileira dessa tradição. Especialmente, acredita Piacentini, sobre o tópico das ações físicas.

Os livros escritos por Stanislavski são um relato de suas experiências no Teatro de Arte de Moscou. No primeiro, A Preparação do Ator, ele focava essencialmente o trabalho de preparação interior do intérprete. Falava da importância de se acessar o subtexto – as ideias que não estão colocadas explicitamente em uma peça teatral. Valorizava a busca por emoções autênticas e o uso da imaginação do ator, que deveria partir dos próprios sentimentos para alcançar aquilo que lhe propunha a personagem.

Foi essa parcela do pensamento stanislavskiano que se disseminou nos Estados Unidos com o Actors Studio. Os novos métodos de representação tiveram enorme impacto em Hollywood, formando atores, como Marlon Brando, Marilyn Monroe e Al Pacino.

Em seu pensamento, contudo, Stanislavski foi além. Sem deter-se apenas sobre traços “psicológicos”. Em A Construção do Personagem, volume que sairia anos depois, ele se concentrava sobre os aspectos “exteriores” ou físicos, como o treinamento intenso do corpo e da voz.

No encontro entre a diretora Maria Thais e o diretor Marco Antônio Rodrigues, que acontece amanhã, eles analisam os pontos de intersecção entre a obra de Stanislavski e de seus contemporâneos: Meyerhold – formulador da teoria da biodinâmica – e Bertolt Brecht.

Para encerrar o ciclo, ocorre na quinta a mesa que reúne o diretor Eduardo Tolentino e o tradutor e pesquisador Diego Moschkovich. Eles vão discutir a herança sobre duas perspectivas. Tolentino falará dos aspectos práticos, explorados nas montagens do grupo Tapa. Já Moschkovich deve enfocar a atualidade do método.

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