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Semana promissora para admiradores do erudito

Pianista Paul Lewis e maestro Zubin Mehta são destaques

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

Esta será, sem dúvida, uma das mais quentes semanas eruditas do ano: de hoje a sábado, o endereço é a Sala São Paulo; no domingo, transfere-se para o Parque Ibirapuera. Começa hoje, com o contratenor canadense Daniel Taylor, a soprano Susie Leblanc e o grupo norte-americano de música antiga Música Angélica; e termina no domingo, com um concerto de música contemporânea da Camerata Aberta no MASP e a apresentação no Parque Ibirapuera da Filarmônica de Munique capitaneada pelo maestro Zubin Mehta. Entre uns e outros, brilha na Sala São Paulo o talento excepcional de um dos mais badalados pianistas da atualidade, o inglês de Liverpool Paul Lewis, que transformou Beethoven em seu passaporte para a fama. Ele faz recital amanhã e será o solista da Osesp nos concertos de quinta a sábado. Em ambos, claro, Beethoven: na terça, a sonata Waldstein; e em seguida o Concerto Imperador n.º 5, o mais célebre dos cinco escritos pelo autor da Nona Sinfonia. A seguir, bons motivos para você não perder nenhum deles.

Música antiga. Daniel Taylor, Susie LeBlanc e Música Angélica (hoje e quarta, na Sala São Paulo, dentro da temporada da Sociedade de Cultura Artística): ótima chance para conhecer um grupo de música antiga que toca em instrumentos de época e, sobretudo, para assistir a um dos mais destacados contratenores da atualidade. O canadense Daniel Taylor possui uma voz aguda tipicamente feminina, como as de Ney Matogrosso ou Edson Cordeiro, e por isso mesmo exerce um fascínio muito especial sobre as plateias em geral, por evocar a antiga tradição do século 18 dos castrati, perversa tradição eternizada por Farinelli e outros, que foram estrelas das óperas de Haendel. Esse esplendor vocal é hoje revivido por contratenores como Taylor, que já gravou quase 100 CDs. O Música Angélica, fundado em 1993 nos EUA, é dirigido pelo vienense Martin Haselböck. No repertório, trechos e árias de óperas de Haendel, Gluck e Mozart; e concertos de Telemann para oboé e de Vivaldi para flauta.

Pianista. Paul Lewis em recital e concerto com a Osesp (terça, recital, de quinta a sábado com a Osesp): um dos pontos altos da temporada. Lewis lançou a integral mais elogiada das 32 sonatas para piano de Beethoven entre 2006 e 2008, realizada para a Harmonia Mundi francesa. E acaba de lançar, pela mesma gravadora, a integral dos concertos para piano do mesmo compositor. Como se vê, Beethoven é seu talismã. Ex-aluno de Alfred Brendel, é um inglês com sangue nas veias, ou seja, seu toque jamais é discreto ou apenas elegante, mas vital, empenhado. No recital de amanhã, ele se aventura no Adagio K. 540 de Mozart, na densa Fantasia opus 17 de Schumann e em Vallée d"Obermann de Liszt; mas encerra em território com o qual tem imensa intimidade, com a Sonata Waldstein n.º 21 opus 53, de Beethoven, um dos destaques de sua integral em CD. Depois, com a Osesp, ele revisita o Concerto Imperador, de Beethoven - e de novo fica a expectativa de como será a sua versão deste célebre concerto com a Osesp e o experiente regente inglês David Atherton em relação à capturada na integral em CD, com o regente checo Jiri Belohlavek e a Orquestra da BBC. Atherton também rege a Osesp na abertura da ópera O Empresário de Mozart e na Serenata n.º 1 opus 11, a primeira incursão de Brahms no domínio da música sinfônica.

Contemporânea. Groove erudito: a Camerata Aberta, grupo dedicado à música erudita contemporânea fundado neste ano em São Paulo, fará seu sexto concerto no domingo, dia 26, às 16 horas, no auditório do Masp. E o tema é justamente "groove". Naturalmente, um groove bem diferente do popular. São peças que manipulam os conceitos de periodicidade, pulsação e repetição. Uma boa chance para se conhecer peças importantes de compositores como Igor Stravinsky, Kasrlheinz Stockhausen, Franco Donatoni e Philippe Hurel, entre os estrangeiros, e Tato Taborda e Eli-Eri Moura entre os brasileiros. Regência do francês Guillaume Bourgogne.

No parque. Domingo no parque com Zubin Mehta: a Filarmônica de Munique fecha a semana erudita quente abrindo seus três concertos paulistanos às 11 horas da manhã, no Parque do Ibirapuera, em sequência da temporada 2010 do Mozarteum. O indiano Zubin Mehta, um superstar da batuta erudita, rege um programa leve. Na segunda e terça-feiras, 27 e 28, na Sala São Paulo, Mehta rege respectivamente a Sinfonia n.º 1 - Titã de Gustav Mahler e a Sinfonia n.º 4 de Tchaikovski.

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