Semana de Moda de NY revaloriza espírito club

Os grandes clubes nova-iorquinos dos anos 90 fecharam ea noite vive fase de transformação. Mas o espírito club voltou com força para marcar os desfiles pelo menos de duas grifes destatemporada da Semana de Moda de Nova York: o de Patricia Field, a lendária estilista que dita a moda underground dacidade, e o da marca Heatherette, que fez sua estréia oficial.Patricia vive momento de celebridade por fazer atualmente a produção de moda do seriado Sexo e a Cidade, da HBO. Em seu desfile, marcado pela presença de brasileiras como AnaClaudia Michels, Caroline Ribeiro e Mariana Weickert,apareceram calças de paetês e vinil, além de tops combrilhos e camisas-vestido.Richie Rich e Trevor Rains, com sua Heatherette, mostraram uma coleção com muitas estampas de grafites, vestidoscoloridíssimos, assimétricos e cheios de faixas penduradas, alémde alguns looks de inspiração punk. Realizado no clube Twirl, o desfile começou com um vídeodirigido por David LaChapelle e estrelado pelatranssexual/celebridade Amanda Lepore, que apareceu, ao vivo noevento, com o corpo pintado em estilo Globeleza.Na ponta oposta à tendência club, Tommy Hilfiger investiu na estética "mauricinho", uma marca cada vez mais forte de suas coleções. O empresário decidiu não mostrar peças femininas nestatemporada - o masculino é o forte de suas vendas -,concentrando-se em uma seqüência de looks nada inspirados e semidentidade. Dizendo ter criado o "clássico com uma diferença",Hilfiger mostrou camisas de cores como verde limão e azul comestampas náuticas, calças oversized vermelhas com costura branca, calças de patchwork com blazer e peças comestampas de lagosta - que já haviam sido tema da coleção deinverno da Celine. Não é a toa que a marca, além da crise de personalidade, vem passando por umacrise também financeira.Com Miguel Adrover, a Semana de Moda de Nova York decretou definitivamente o fim da falta de acabamento e dareciclagem. O estilista que há um ano e meio chamou atençãopor transformar casacos e até um colchão em matéria prima paraseus looks voltou com uma coleção inspirada na ONU e comreferências em roupas árabes e gregas. Com uma alfaiataria cadavez mais precisa, o espanhol mostrou ternos justos sem gola comestampas de estrela de Davi e minivestidos em camadas de chiffon que misturam cores como branco, vermelho e amarelo. Também foi bem recebida a coleção da inglesa Luella Bartley, que fez sua estréia no evento. A estilista mostrou ternos de camurça justos usados abertos, com underwear bastante sexy, túnicas de algodão com saias dechiffon e jeans justíssimos.Glamour - A Semana de Moda de Nova York perdeu Helmut Lang,Richard Tyler e Badgley Mishka, mas com sua programação paralela tenta garantir o mesmo glamour. Além da abertura deexposições de Helmut Newton e Guy Bourdin, entre outros, ospróximos dias terão a reinauguração da loja da Yves SaintLaurent, na Madison Avenue, comandada por Tom Ford, a festa daEmporio Armani em West Chelsea e a inauguração de uma nova lojado italiano, batizada de Casa. Um dos eventos mais concorridosdeve ser o desfile de Marc Jacobs, no Pier 54, na beira doHudson River, esquina com 14th Street. Além de lançar a coleção,ele vai estar recebendo para um evento beneficente ao lado deHilary Swank, Sophia Coppola e Julianne Moore.O lado alternativo da Semana de Moda de Nova York foitodo reunido em um evento realizado pela revista Paper, batizadode Fashionpalooza, uma referência ao lendário festival demúsica Lollapalooza, dos anos 90. Misturando desfiles comperformances e instalações de artistas, cabeleireiros emaquiadores, o evento teve também a presença de estilistas comoAndrew & Andrew, que lançam as marcas Respect Me e RespecterMoi. Para tentar "acabar com a passividade da moda", elespropõem costurar a etiqueta da marca em roupas de outras grifes.O público pode também adquirir apenas as etiquetas, na loja daFiorucci, e aplicar sobre qualquer roupa. "Nossa idéia é darvalor para o estilo pessoal", diz um dos estilistas.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2001 | 14h49

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