DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP
DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP

Semana de Moda de Londres recorre a gel antivírus

Evento, iniciado na sexta, é ofuscado pela preocupação relacionada ao novo coronavírus, reduzindo a participação chinesa

Reuters, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2020 | 13h43

O gel antisséptico deve se tornar o novo acessório mais cobiçado da Semana da Moda de Londres, que começou na sexta, 14, e deve ser um evento mais discreto devido à ausência de muitas espectadoras chinesas por causa do coronavírus. Mas a estilista chinesa Yuhan Wang deu início aos desfiles mesmo assim, superando as dificuldades causadas pelo surto do vírus para apresentar sua primeira coleção solo de jaquetas de estilo Vitoriano na altura da cintura e blusas de renda pretas.

Caroline Rush, presidente executiva do Conselho de Moda Britânico, alertou que o comparecimento será menor por causa do coronavírus, e alguns estilistas estão passando apuros por causa da interrupção das conexões de transporte e das fábricas na China. “Tivemos um estilista que não poderá se apresentar porque a coleção não chegou da China por causa de questões de logística”, disse Rush à Reuters antes da abertura do evento.

A indústria da moda como um todo passará por meses problemáticos se as restrições de viagens e trabalho continuarem na China, a maior produtora de têxteis do mundo. O vírus, que surgiu na China no ano passado, já tirou mais de 1.380 vidas e se espalhou para outros países. Por medida de segurança, diariamente será feita uma limpeza completa na área principal onde acontecem os desfiles. O novo coronavírus “claramente preocupa a indústria da moda”, disse Stephanie Phair, presidente do BFC.

A Burberry ressaltou no início do mês “o grandioso impacto negativo” sobre a demanda de luxo da China, onde a marca teve de fechar cerca de 20 lojas. No entanto, segundo Phair, “a indústria da moda já enfrentou desafios e é resistente”.

As repercussões econômicas dessa epidemia aumentam a preocupação provocada pelo Brexit. O Reino Unido deixou oficialmente a União Europeia no último 31 de janeiro, entrando em um período de transição no qual Londres terá de negociar sua nova relação comercial com Bruxelas, um tema muito importante para a indústria da moda, voltada ao comércio exterior.

Apesar do cenário complicado, os britânicos mantêm a sua famosa compostura. Inaugurando os desfiles, Yuhan Wang, originário da cidade chinesa de Weihai, apresentou na sexta-feira sua primeira coleção solo depois de ter seu talento reconhecido nas Fashion Weeks. Sua coleção respira melancolia: vestidos largos em tecidos leves, alguns com estampa floral, rendas onipresentes e silhuetas românticas inspiradas na era vitoriana.

Durante os cinco dias de desfiles, que terminam na terça, 18, grandes nomes da moda britânica apresentarão suas coleções outono-inverno 2020/21, entre elas Pam Hogg, neste domingo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.