Semana começa com volta de Ana Paula Padrão à TV

O SBT Brasil, apresentado por Ana Paula Padrão, estréia às 19h15 desta segunda-feira. Entre publicitários, políticos, executivos de TV e até colegas de trabalho ela é vista como a heroína que conseguiu sensibilizar Silvio Santos a voltar a investir em informação. Quando lhe cobravam por que desprezava esse item, essencial no cardápio de qualquer rede de TV que se preze, Silvio Santos se lamentava que queria aquela moça da Globo, a Ana Paula Padrão, mas ela se recusava a mudar de canal. O assédio vem desde 1996. Desde maio, quando a jornalista anunciou que deixaria a Globo, o Senor Abravanel não deixou dúvidas sobre sua aposta: bancou a multa - mais de R$ 3 milhões - pela rescisão do contrato dela com a Globo, que só venceria no fim de 2006, deu carta branca para a encomenda dos equipamentos necessários e abriu o baú para a contratação de profissionais - são cerca de 100, incluindo 60 em São Paulo e correspondentes em Beirute, Roma, Paris, Londres, Nova York e Buenos Aires. Em três meses, Ana Paula e o diretor de Jornalismo da casa, Luiz Gonzaga Mineiro, pilotaram uma série de ações para ressuscitar o jornalismo do SBT das cinzas. As 108 afiliadas receberam instruções para se adequarem ao novo produto. Muito se falou em conteúdo editorial, linguagem, áudio, iluminação e até figurino e maquiagem. Como o departamento se encontrava todo sucateado, foi preciso comprar tudo novinho. Bom para os câmeras, que estão livres de fitas. Agora, o termo é disco ótico. E há um helicóptero à disposição só do jornalismo. Capítulo à parte é o cenário, cercado de mistérios. Uma foto de satélite estampa o fundo do cenário. É belíssimo, dizem. A jornalista adiantou que "é superversátil", com plasmas e telões. Segundo ela, foge do convencional. Na nova redação, há um videowall com nove telas. No SBT, a chegada da jornalista é vista como mais um golpe de sorte de Silvio Santos - nada mais apropriado para alguém que vive de fazer sorteios. Ela é a pessoa certa na hora certa, visto que o ambiente político dos últimos anos nunca foi tão propício ao interesse da audiência como agora. O retorno comercial já se faz notar. A Caixa Econômica Federal foi a primeira a comprar uma das três cotas publicitárias nacionais oferecidas pela emissora, ao custo (de tabela) de R$ 2,2 milhões cada uma - no Jornal Nacional, o valor é de R$ 3 milhões. Ana Paula conversou por telefone com a reportagem do Estado. Diz ela sobre o seguinte: Concorrência: "A minha preocupação é com o deadline (conclusão do jornal), que é cedo. Honestamente, não estamos preocupados com o que vai ao ar nesse horário. Duas coisas pesaram para a definição das 19h15: as praças queriam um horário em que elas pudessem colar seus jornais locais ao de rede, e as pesquisas que o SBT fez apontaram que esse era o melhor horário. Expectativa de audiência: "Audiência é conseqüência do produto, eu tenho que fazer um produto com qualidade. Assim, a chance de brigar por audiência é muito maior. Isso é mais importante que qualquer estratégia." Holofotes: "Não vivo de fama, vivo de trabalho. Se eu parar de apurar, vou provavelmente ficar desprestigiada. Uma coisa básica é se preocupar com o conteúdo.Liberdade editorial: "Nunca tive problema de liberdade para trabalhar na Globo. Minha saída não teve nada a ver com isso. O projeto que eu desenvolvi na Globo foi aquele que eu realizei, nunca tive que me preocupar com isso. A Globo tem uma direção de jornalismo, pessoas a quem eu me reportava, isso é normal. Aqui, eu serei mais responsável editorialmente pelo jornal." Risco Silvio: "Tudo envolve riscos. Quem não corre risco não experimenta as coisas. Eu tenho, primeiro, uma vibração e uma energia, do Silvio e da casa inteira, que precisavam muito desse projeto aqui. Claro que tenho em contrato uma série de garantias (de que o jornalismo será mantido), mas o que importa é me divertir. E nenhum empresário vai investir tudo o que foi investido até aqui pra acabar com a coisa no dia seguinte." Jornal da Globo: "Não tenho visto. Vi uma vez, de passagem, não faço a menor idéia de como esteja. A essa hora estou dormindo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.