Maya Hayuk/Divulgação
Maya Hayuk/Divulgação

Semana carioca está mais enxuta

Após desistências, evento começa amanhã reduzido a 25 grifes, mas com maior vigor criativo, garante organizador

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

Um Fashion Rio mais enxuto, com 25 grifes no line-up principal, tem início amanhã no Píer Mauá. Sem as grifes de moda praia, já que a temporada é de inverno, e após uma série de desistências, a promessa é de menos atrasos e de maior consistência e foco no lançamento de ideias para a moda brasileira - meta perseguida pelo coordenador, Paulo Borges, desde que ele aceitou acumular a semana carioca com a São Paulo Fashion Week, quatro edições atrás.

O tempo na cidade, que vinha fechado desde a virada no ano - quase frio, para o gosto local -, resolveu mudar para não alterar a tradição de quase uma década: meias e casacões invernais dentro das salas de desfile superrefrigeradas, e calor impiedoso do lado de fora. "Estamos há quatro edições sem chuva, não sei se vamos conseguir outra...", brincava Borges na última quarta-feira. Ele arrumava as malas em Salvador, onde passara o réveillon com o filho, Henrique, preso ao telefone e ao e-mail por conta de decisões de última hora.

Mesmo antes de iniciada a maratona deste janeiro, ele já fazia um balanço de sua gestão até agora. "Estou sempre olhando adiante. O projeto já tem uma cara, um vigor criativo. Temos um line-up bem mais consistente", disse. "O inovador é que é o importante, a assinatura, o design. É isso que a gente fez na SPFW nesses 15 anos e quer implementar no Fashion Rio. Quando a gente mexe no line-up e separa o joio do trigo, acrescenta nomes como Andrea Marques, Oestudio, Lucas Nascimento, British Colony e outros a um ambiente que já tem Redley, Cantão, Maria Bonita Extra, fica mais depurado, você consegue evidenciar melhor as coisas."

Graça Ottoni, fiel ao Fashion Rio desde o seu nascimento, desertou, e não revelou o motivo. "Resolvi mostrar a coleção de um outro jeito, mas ainda estou pensando como", contou Isabela Capeto, outra desistente, quinta-feira, em seu ateliê. Mara Mac, Claudia Simões, Tessuti, Cavendish e Juliana Jabour também estão fora. Carlos Tufvesson fechou seu ateliê.

Não se trata, entretanto, de um esvaziamento do Fashion Rio. As marcas que fazem a cabeça dos especialistas e dos consumidores - que têm o tal "DNA carioca" de que tanto se fala -, estão firmes: Maria Bonita Extra, Totem, Redley, Cantão. Aquisições recentes, como as mineiras Patachou e Printing e Andrea Marques também.

Visibilidade. Para a grife Coven, também de Minas Gerais, que participa do Fashion Rio desde 2003 (com interrupções), os ganhos são dois: o estímulo à própria criatividade na hora da criação e a visibilidade de suas roupas em nível nacional.

"A diferença maior é na nossa imagem, que sai fortalecida. Quando a gente se ausenta, sente a diferença, por exemplo, nos editoriais de moda. A procura fica bem menor", conta a estilista Liliane Rebehy, que reconhece que estar na passarela a obriga a ousar mais. "A nossa participação faz com que o foco fique menos comercial. O consumidor brasileiro ainda é muito pouco corajoso ao se vestir. Acho que só na cidade de São Paulo é um pouco diferente."

A repercussão nas vendas é praticamente nula, observa Liliane. Já Marianna Arnizaut, estilista da New Order, única grife de acessórios, que vai para seu terceiro Fashion Rio, diz o contrário: o impacto nas vendas é imediato. Mais do que isso, ela ressalta, estar no Fashion Rio é chancela de qualidade. "É legal sermos a única marca de acessórios, mostra que somos mesmo lançadores de tendências."

Em seus calçados, bolsas, mochilas e cintos, a New Order está apostando na mistura de dois opostos: o militarismo e o universo do balé. Como? Pense numa bota com bico de sapatilha, ou numa sapatilha em forma de coturno - é por aí. Enquanto isso, a Coven se inspira em Louise Bourgeois e em Chanel; Melk Z-Da, na ilha de Fernando de Noronha (pernambucana como o estilista), com seus mitos e cores intensas; a Têca, numa mistura do universo das lingeries com a cultura japonesa. A Redley, com novo diretor criativo, o nova-iorquino Sandy Dalal, mostrará uma coleção que é um "retorno à sua essência limpa". A Cantão, que tem Carol Trentini como modelo exclusiva, buscou em Nova York a artista Maya Hayuk, conhecida pelas obras multicoloridas. Ela assina uma estampa e intervém no cenário. O tema é a relação entre arte e espaço urbano.

A partida é dada por dez estilistas em começo de carreira, de São Paulo, Rio, Bahia e além, reunidos no Rio Moda Hype. As luzes só se apagam sábado à noite.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.