''Sem o palco, você não é ator''

O ator Ítalo Rossi tornou-se conhecido do grande público por suas aparições na TV. Recentemente, pôde ser visto no humorístico Toma Lá, Dá Cá, da Rede Globo. E também em novelas da emissora como Belíssima e Senhora do Destino. Essas participações são, contudo, uma ínfima parcela da trajetória desse intérprete que passou mais de seis décadas em cima dos palcos.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2011 | 00h00

Um dos maiores atores do País, Rossi destacou-se por sua atuação no TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Como um dos fundadores do Teatro dos Sete. E também por saber reinventar-se como intérprete de encenadores da nova geração, como Gerald Thomas e Moacyr Goes.

Foi em 1953 que Rossi ingressou no Teatro Brasileiro de Comédia. A consagração chegou logo depois, em 1956, com A Casa de Chá do Luar de Agosto. Sobre a atuação do intérprete, então um quase desconhecido, Décio de Almeida Prado escreveu à época: "À Ítalo Rossi cabia a responsabilidade mais pesada: a de dar o tom de cada cena, ligando-as umas às outras. Ítalo é um Sakini encantador, malicioso, sonso, simpaticíssimo, a que não falta nada". Grande sucesso, que marcou a estreia do diretor Maurice Vaneau na companhia, A Casa de Chá do Luar de Agosto garantiu a Rossi o prêmio revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, a ABCT. Seria apenas a primeira das muitas honrarias que acumularia ao longo da carreira. Entre elas, quatro prêmios Molière.

Em Os Interesses Criados, dividiu a cena pela primeira vez com amigos que o acompanhariam durante toda a vida: Fernanda Montenegro e Sergio Britto. Ao lado deles, Rossi se destacaria em montagens como Vestir os Nus, de Pirandello. Participaria do Grande Teatro, da TV Tupi. E também fundaria, em 1959, o Teatro dos Sete.

Criado por profissionais advindos do TBC, o grupo foi um dos grandes marcos do teatro brasileiro dos anos 1950 e 1960. Já em seu espetáculo de estreia, O Mambembe, a companhia arrebatou o público. Na encenação, Rossi brilhou sob a direção de Gianni Ratto e voltou a conquistar mais um prêmio dos críticos de teatro. Seu domínio da voz e das expressões corporais continuaria a destacá-lo nas montagens subsequentes do grupo. Entre elas, O Beijo no Asfalto - peça que Nelson Rodrigues escreveu especialmente para o conjunto.

Com o desmantelamento do Teatro dos Sete, Ítalo Rossi passa a atuar na recém-criada Companhia Carioca de Comédia e também em peças de diretores de destaque, como Ademar Guerra e Flávio Rangel.

Nos anos 1980, o ator arrisca-se em território desconhecido. Lança-se como diretor e desponta em trabalhos de novo teor. Aparece em Quatro Vezes Beckett, sob a batuta de Gerald Thomas. Surge sozinho em cena, com Encontro com Fernando Pessoa, de Walmor Chagas. Impressiona mesmo aqueles que já conheciam seu talento pela força de sua interpretação em Encontro de Descartes e Pascal.

Nos últimos anos, Rossi esteve relativamente afastado da ribalta. Mas, mesmo quando estava na televisão, fazia questão de ressaltar de onde veio e qual era o seu lugar. Em uma de suas últimas entrevistas ao Estado, declarou: "Sem palco você não é ator. O palco é um todo, uma presença, uma voz, um jeito, uma luz."

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