Sem medo de ser chamada de brega

RIO

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2010 | 00h00

O texto fluido e direto é o segredo do êxito. "Ela não é uma unanimidade. É sincera, não é cínica. No texto não há compromisso em ser moderno nem medo de ser brega", justifica Isa Pessoa, diretora editorial da Objetiva e amiga de Martha Medeiros. As duas começaram a trabalhar juntas em 2002, ano do lançamento de Divã, seu primeiro romance e o mais bem-sucedido até hoje. Seu nome, até então associado à poesia e à crônica, havia sido avalizado por Millôr Fernandes e Luis Fernando Verissimo, Isa lembra.

Nesses oito anos, foram vendidos 100 mil exemplares de Divã. E os números ainda podem crescer, com a chegada da história da quarentona Mercedes à TV Globo, ano que vem (Lilia Cabral ficou três anos em cartaz com a peça no País todo, e atraiu 175 mil espectadores; no cinema, foram cerca de 2 milhões de pagantes). "Eu me coloco em tudo o que faço, sempre tem um pedaço de mim ali. Por isso, existe certa cumplicidade com o leitor", diz Martha.

A identificação é imediata em Fora de Mim. A personagem desvela pequenas infantilidades por que passa quem se sente abandonada: o choro incessante, na cama, em posição fetal, por dias seguidos; a aflição ao ver novela na TV, à espera de qualquer cena de beijo; a "dieta da dor de cotovelo", que faz perder 3 quilos em poucos dias,

E as divagações sem sentido: Será que ele sofre por mim? Será que está usando as taças que eu comprei para tomar vinho com a outra? Estará nesse momento na cama com ela? O que fazer com as mensagens guardadas na memória do celular? Para quem me arrumar ao sair de casa? São questiúnculas que soam patéticas para alguns. Mas não para quem já esteve fora de si.

FORA DE MIM

Editora: Objetiva

138 páginas.

Preço sugerido: R$ 29,90.

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