Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Sem convite para posse de Regina Duarte, aliados de Alvim esperam demissão da Cultura

A expectativa dentro da secretaria é que cerca de 15 postos sejam trocados por Regina. Eles ocupam cargos de secretários da pasta, chefes de gabinete, além de outras funções comissionadas

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 21h05

BRASÍLIA - Chefes da Secretaria Especial de Cultura ligados a Roberto Alvim não foram convidado para a posse da atriz Regina Duarte, que assume a pasta na quarta-feira, 4. Segundo integrantes da secretaria, eles esperam demissão de seus cargos -- alguns já teria sido avisados que estão fora da equipe.


A expectativa dentro da secretaria é que cerca de 15 postos sejam trocados por Regina. Eles ocupam cargos de secretários da pasta, chefes de gabinete, além de outras funções comissionadas.


Regina tomará posse como secretária Especial de Cultura em cerimônia no Palácio do Planalto. Ela assume o posto de Roberto Alvim, demitido em 17 de janeiro após parafrasear o nazista Joseph Goebbels em discurso.

Integrantes da governo afirmam que nomes tidos como da “ala ideológica”, seguidores do escritor Olavo de Carvalho e aliados de Alvim devem ser demitidos. A exceção seria o jornalista Sérgio Camargo, que caiu nas graças do presidente Jair Bolsonaro após forte repercussão de declarações como “o Brasil tem um racismo nutella”. 

Camargo chegou a ser impedido pela Justiça de assumir o cargo, mas a decisão foi revertida após recurso do governo. O jornalista aguarda a sua nomeação, mas esteve nesta terça-feira, 3, em cerimônia no Palácio do Planalto. Após o evento, ele e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, subiram juntos a rampa que liga ao 3º andar do prédio, onde despacha Bolsonaro. 

Camargo disse ao Estado que Regina pediu a sua demissão, mas Bolsonaro e o ministro do Turismo negaram. O presidente da Palmares afirma que não irá para posse da atriz, que será a sua chefe. "Regina quer abrir diálogo com o movimento negro. Digo que é ingenuidade, para ser gentil", disse Camargo. "Desejo que ela faça uma grande gestão", completou.

 

Cultura rachada

No período de "namoro" de Regina com o governo Bolsonaro, cresceu a sensação de "divisão" dentro da secretaria, segundo integrantes da pasta. 

A equipe de Alvim passou a apontar como "esquerdistas" nomes ligados à atriz. Tentaram tentaram ainda emplacar o discurso que eram eles os "técnicos" da pasta, enquanto os aliados de Regina eram "ideológicos".

Segundo fontes que acompanham a transição na Cultura, a atriz irá nomear como “número 2” da pasta o ator e produtor teatral Humberto Braga. O nome de Braga é o principal alvo de ala que considera a gestão da atriz pouco alinhada com valores conservadores. 

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