Sem convidados vocais, novo CD do Bajofondo tem mais arranjos

O líder da banda, Gustavo Santaolalla, fala sobre os trabalhos no cinema, a relação com o Brasil e com o governo argentino

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2013 | 02h07

Diferentes instrumentos para os oito integrantes não são suficientes na hora de compor um disco do Bajofondo. Para o recém-lançado Presente, foram necessárias passagens aéreas e internet de banda larga. "Começamos a trabalhar nesse disco há dois anos e meio. Nesse período, nos encontramos em Montevidéu, Buenos Aires e Los Angeles. Quando não estamos juntos, trocamos arquivos de computador", relembra Gustavo Santaolalla, 61 anos, líder da banda de argentinos e uruguaios.

Cheio de convidados e faixas dançantes, Mar Dulce (2007), último CD do grupo - cujas músicas estiveram na trilha das novelas A Favorita e Avenida Brasil - contrasta com Presente, em que apenas uma orquestra de cordas e sopros reforçou os arranjos. "Nesta turnê, tocamos músicas do novo disco e as pessoas sempre terminam dançando", defende Santaolalla, que fez uma leva de shows nos EUA e promete vir ao Brasil em julho.

"Temos muita vontade de voltar. Tenho amigos aí, como Walter Salles e Marisa Monte. Gostamos muito do público daí. É difícil para artistas que não são brasileiros chegar até aí", disse em conversa com o Estado por telefone, diretamente de Los Angeles. Vencedor de dois Oscars pelas trilhas de Babel e O Segredo de Brokeback Mountain, ele mantém endereço nos EUA, onde é requisitado pela indústria do cinema. "Estou trabalhando em um filme de animação com o Guillermo del Toro, o Book of Life. Acabo de terminar a música para meu primeiro jogo de videogame, o The Last of Us, que sai em junho para Playstation. Foi uma experiência incrível."

Mesmo morando nos EUA, o artista é figura fácil na Argentina, onde mantém uma vinícola. "Todos os dias leio os jornais argentinos. Sei o que está acontecendo", explica ele, que não se surpreendeu com a eleição de um papa argentino. "Não é por acaso. A América Latina é o último bastião que eles (Igreja) têm, pois estão perdendo fiéis para os evangélicos e outros. Desejamos que seja um elemento de mudança para a Igreja."

Declaradamente sem partido, ele assinou a trilha de um documentário que exalta o ex-presidente Néstor Kirchner (1950-2010). "Ele me parece uma pessoa importante para a história do país. Também fiz a trilha de um filme sobre (o escritor Jorge Luis) Borges, que não pertence a nenhum partido político e é uma figura importante". Apesar de o governo da atual presidente Cristina Kircher ser alvo de protestos por inflação, corrupção e insegurança, Santaolalla a defende. "Nos últimos anos, Néstor e Cristina fizeram o casamento igualitário, lutaram por direitos humanos contra os repressores e criminosos (da ditadura)."

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